10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Tradição em biscoitos atrai turismo e negócio

Agência Sebrae
| Tempo de leitura: 4 min

Quinze mil quilos de mais de 40 variedades de biscoitos doces e salgados saem dos fornos das quase 40 fábricas de São Tiago - cidade mineira localizada na Zona das Vertentes, a cerca de 200 quilômetros de Belo Horizonte - para as gôndolas das padarias, mercearias e supermercados da Capital e outras cidades mineiras, Rio de Janeiro e São Paulo. A atividade, que gera aproximadamente 450 empregos diretos, está entre as principais fontes de renda do município, que tem pouco mais de 10 mil habitantes.

Logo na entrada de São Tiago, as chaminés das fábricas chamam a atenção dos visitantes. A habilidade para fazer quitutes é uma tradição que acompanha a trajetória do município desde o século 18, quando bandeirantes espanhóis chegaram à região à procura de ouro na Fazenda das Gamelas e na Fazenda da Vargem Alegre. Numa localidade entre o Rio Jacaré e o Rio do Peixe, fundaram o primeiro núcleo de povoamento. Foram eles que trouxeram o culto a São Tiago para a região.

As guloseimas que deram a São Tiago o título de “terra do café com biscoito” são variadas. Quitutes de todo tipo fazem parte do cardápio: biscoitos, roscas, bolos, torradas, pães de queijo, pães folhados etc. Fama que está sendo aproveitada para gerar novos negócios. Atualmente, cerca de 20 produtores integram a Associação São Tiaguense dos Produtores de Biscoito (Assabiscoito), que está trabalhando para melhorar ainda mais os produtos da região, torná-los mais conhecidos e aumentar as vendas.

Para isso, desde abril do ano passado, o Sebrae em Minas Gerais implantou o Projeto de Alimentos Artesanais de São Tiago, em parceria com a Assabiscoito, Prefeitura Municipal, Credivertentes e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater). O trabalho segue a metodologia da Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor), que baliza os projetos setoriais apoiados pelo Sebrae em todo o País.

“O nosso objetivo é melhorar a qualidade dos produtos e fortalecer a união entre os empresários para que o setor também se fortaleça”, explica a coordenadora do setor no Sebrae em Minas, Danielle Fantini. Para alcançar essas metas, a instituição tem investido em cursos de capacitação nas áreas gerenciais, de produção e de atendimento.

Quando procuraram o apoio do Sebrae, os produtores de biscoitos tinham em mente padronizar a produção e, principalmente, promover a adequação de suas fábricas às exigências da legislação sanitária. Tais demandas foram atendidas, porém, o trabalho conjunto despertou a associação para outras mudanças que, se implementadas, poderiam incrementar o setor também economicamente.

A próxima meta é implantar uma central de negócios por meio da qual os associados poderão comprar matéria-prima a custos menores e vender suas mercadorias em conjunto, inclusive com preços mais competitivos. Para Danielle Fantini, a central facilitará ainda o acesso a grandes compradores, por exemplo, supermercados, já que apenas um fabricante não teria condições de atender sozinho aos pedidos.

“No começo do trabalho, os produtores estavam muito desunidos, mas, hoje, já conseguimos melhorar o relacionamento e todos participam das reuniões”, conta a presidente da associação, Juraci Maria de Oliveira.

O clima participativo relatado por Juraci é fruto das reuniões promovidas pelo Sebrae no projeto Cultura da Cooperação. Foram realizados também cursos de gerenciamento e de formação de preços.

Segundo a presidente da Assabiscoito, um dos trabalhos mais importantes foi a consultoria de Boas Práticas, pela qual os produtores aprenderam a adotar procedimentos de higiene da fábrica e dos funcionários, para se adequarem às exigências da legislação sanitária.

Mãos que ‘acariciam’ a massa

A atividade também pode desenvolver o turismo na região. Por causa dos biscoitos, há sete anos, a cidade é sede da Parada do Café com Biscoito. A festa, que faz parte do Calendário turístico da Secretaria de Turismo de Minas Gerais, dura três dias e conta com apresentações de grupos locais, oficinas de biscoito, desfiles culturais, peças teatrais e shows com grandes artistas nacionais, atraindo cerca de 20 mil pessoas.

Durante a parada, além de todas essas atrações, chama a atenção uma atividade lúdica: a Oficina do Biscoito Falante, na qual os participantes fazem modelagens com massa de biscoito e contam histórias, o que promove a interação entre turistas e membros da comunidade.

Na produção, há os que colocam a ‘mão na massa’, os que pilotam as bandejas que entram e saem do forno e os que participam de todo o processo. Entre uma fornada e outra, os produtores afirmam que o segredo dos biscoitos está na habilidade e garantem que o importante é ‘acariciar as massas’.

Os famosos biscoitos de polvilho são produzidos em diferentes sabores: alho, cebola, orégano, pimenta, pizza, parmesão etc. Doces de frutas, licores e queijos pegam carona na fama dos biscoitos e também integram a parada. Para redimir a culpa por tanta provocação, os produtores oferecem biscoitos dietéticos.

O objetivo do Sebrae em Minas para a parada neste ano é realizar uma Rodada de Negócios na cidade para que os produtores possam ampliar a carteira de clientes e lucrar ainda mais.