Conscientizar alunos, pais e professores sobre a importância de se combater o bullying norteou o estudo coordenado pela professora Laura Brandão. Em suas aulas, os alunos foram incentivados a elaborar de pesquisas, páginas na Internet, cartazes e peças de teatro sobre o tema.
“Não adianta só falar ou impor. O aluno pode não cometer bullying na sala de aula, mas e no intervalo? É preciso ganhar a mente e o coração, fazer com que ele se coloque no lugar daquele que está cometendo e também de quem está sofrendo bullying”, diz Brandão.
Ela ressalta a importância em saber lidar com as diferenças. “Num mundo globalizado, as crianças e adolescentes têm que ser incentivadas a respeitar o diferente. Onde há pluralidade tem que haver tolerância, o que não significa aceitação, mas respeito”.
“O trabalho mexeu muito com os alunos. Alguns foram capazes de chegar e falar para o outro que estavam sendo ‘amolados’. Nas minhas aulas não há mais bullying”, observa Brandão.
Elaborar programas de prevenção e estimular bom convívio em sala de aula são estratégias eficazes no combate ao bullying, diz a psicóloga. “É fundamental que os professores trabalhem questões como respeito, diferenças, empatia e limites em classe.”.
Outra orientação importante, reforça a psicóloga, é ficar atento às mudanças de atitude ou sinais de agressividade que a criança ou adolescente possam demonstrar. A recomendação vale tanto para os educadores quanto para os pais.
“Eles devem prestar atenção no comportamento do filho e apostar no diálogo”, reforça Dalco.
Cinema e leitura
O crescimento de casos de bullying em diversos países do Exterior e no Brasil despertam a preocupação de pais, educadores e da sociedade. O tema, aliás, inspirou diversos filmes e livros.
“Tiros em Columbine”, do polêmico diretor e escritor Michael Moore, mostra a história de dois jovens que estudavam na escola Columbine High-School e mataram seus colegas. O massacre, ocorrido em 1999, também abordou o fascínio norte-americano por armas de fogo.
“Elefante” retrata situações cotidianas de um colégio nos Estados Unidos. Inspirado no assassinato ocorrido em Columbine, o filme mostra o horror provocado por dois adolescentes que mataram 13 colegas e um professor.
Em “Meninas Malvadas” uma garota criada na selva africana só conhece uma escola aos 16 anos. Cansada de ser alvo de gozação, ela começa a andar com um grupo de “patricinhas” que adoram esnobar os outros.
“Nunca Fui Beijada” conta a história de uma jornalista que recebe a difícil missão de fazer uma reportagem sobre o comportamento dos adolescentes na escola. Só que a moça nunca fui beijada e era alvo de piadas em classe.
No filme “O Silêncio de Melinda”, após sofrer um grande trauma, uma adolescente se torna motivo de gozação e passa a ser humilhada pelos colegas da escola. Para acabar com o sofrimento, ela conta com a ajuda da arte.
Em “Bang Bang! Você Morreu”, o protagonista também foi vítima de bullying, sendo alvo de constantes agressões e humilhações no colégio.
O livro “Garota Fora do Jogo”, de Rachel Simmons, aborda a cultura oculta da agressão entre meninas.
Na obra “Fenômeno Bullying”, a escritora Cleodelice Zonato aponta estratégias de intervenção e prevenção da violência entre escolares.