São Paulo - É só o estresse bater mais forte para a consultora de moda Christiana Francini, 36 anos, correr para o telhado. É lá onde encontra sossego e recarrega as energias para a rotina que inclui casa, trabalho, marido e filhos. No telhado de Christiana há um jardim. No meio dele, uma jabuticabeira. Tudo em plena Capital paulista.
Quando construiu sua casa, há dois anos, a consultora fez questão de um projeto que incluísse a área verde no telhado. “Queria aproveitar melhor o espaço e dar um jardim para meus filhos curtirem.” No início, havia também uma horta, que acabou não vingando. O gramado, no entanto, não dá trabalho. “O jardineiro vem uma vez por mês. É tranqüilo manter as plantas.”
Morar sob o jardim, com flores, pássaros e até borboletas, não é mais privilégio de países como Alemanha e Áustria e tem cada vez mais adeptos no Brasil, como Christiana. Em Porto Alegre, casas com “telhados vivos” (ou “telhados verdes”) são comuns. A cidade tem até condomínios onde em todas as residências há jardim no teto.
Em São Paulo, a tendência ganha força desde 2000. Além da função estética, os telhados vivos trazem benefícios para os donos e, em larga escala, para as cidades. O morador ganha um local mais fresco e com menos barulho.
Pesquisa da Unicamp, feita por Érika Mesquita, mestre em sociologia, mostra que uma residência com essa cobertura pode diminuir em cerca de 25% a necessidade do uso de ar-condicionado e em 40 decibéis o barulho se o substrato do jardim tiver 12 centímetros de profundidade. Já as cidades passam a ter menos poluição, menos calor e inundações. A terra absorve a água da chuva, que não chega direto à rua.
Cidades do México e do Japão vêm oferecendo incentivos fiscais para moradores que cultivam seus telhados. Em Nova York, uma campanha também tenta convencer seus habitantes a plantarem no telhado. Em São Paulo, não há projetos nesse sentido.
As telhas podem ser aplicadas em cima de telhados já existentes, mas é preciso verificar se o peso é suportado. O material costuma ser mais caro que a telha comum. Consultor do Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica, Márcio Araújo lembra que o trabalho malfeito pode causar infiltração. “O trabalho não pode ser feito de qualquer jeito.”