11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Ministério do Trabalho propõe alterações na colheita de cana em SP

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O excesso de trabalho desempenhado pelos bóias-frias da cana-de-açúcar, que teria resultado na morte de nove deles desde 2004 na região de Ribeirão Preto, também foi discutido ontem em Bauru, num encontro que reuniu 11 subdelegados do Ministério do Trabalho. Na ocasião, o grupo diagnosticou o modo de produção nos canaviais e propôs alternativas para contornar a precarização que ronda a atividade.

O assunto também moveu investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Pastoral do Migrante de Guariba (SP), ligada à Igreja Católica. Juntos, elas apuram a relação entre as mortes e o empenho dos trabalhadores rurais para manter seus empregos frente à tecnologia.

Conforme a imprensa tem divulgado, os bóias-frias aumentaram a quantidade de toneladas de cana cortadas ao dia para melhorar a remuneração. Por essa razão, dentre as propostas tiradas na reunião de ontem está a melhoria salarial. Além de subir o piso, a idéia é alterar a forma de pagamento - atualmente é por produção. A mudança incluiria a remuneração fixa também do encarregado.

“A tendência é trabalhar mais para ter dinheiro. Eles trabalham sete meses do ano para viver 12”, acrescenta a subdelegada do Ministério do Trabalho de Bauru, Maria Rita Maringoni. De acordo com ela, as sugestões serão apresentadas ao setor patronal dentro de uma semana, em São Paulo.

Exame médico

Na oportunidade, também será proposto exame médico admissional detalhado. Por meio dele, seria possível diagnosticar, por exemplo, casos de mal de chagas ou problemas de circulação. “É um serviço penoso”, diz a subdelegada. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostra que, para cortar 10 toneladas de cana por dia, um trabalhador precisa desferir 9.700 golpes de podão - instrumento usado no corte.

Dependendo da região, os bóia-frias cortam, em média, 12 toneladas diárias de cana. Por essa razão, a alimentação da categoria também esteve em pauta. Adequada e balanceada, ela deveria ser sempre fornecida pelos empregadores. Caso aceitem a proposta encaminhada na próxima semana, eles também terão de fornecer soro hipertônico aos trabalhadores rurais que, expostos ao sol e ao forte calor, estão sujeitos à desidratação.

Com o objetivo de melhorar as condições de trabalho no canavial, também será sugerida ao setor patronal a instalação de cabines sanitárias próximo ao local de trabalho dos bóias-frias. Segundo Maringoni, em vários pontos do Estado, as medidas já vem sendo adotadas pelo segmento patronal.

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Transporte adequado

Melhorar a segurança no transporte dos bóias-frias até o canavial também está entre as propostas tiradas pelos 11 subdelegados reunidos ontem em Bauru. Eles recomendarão ao setor patronal para optarem por empresas que ofereçam veículos em boas condições técnicas e que primem pela segurança dos passageiros.

A idéia é impedir que os trabalhadores rurais viagem cercados de ferramentas como facões, por exemplo.

Conforme o JC divulgou, nos últimos três meses, pelo menos dois acidentes foram registrados com ônibus de trabalhadores rurais.

A preocupação com o fim da terceirização do trabalho e com a oferta de alojamentos dignos aos migrantes também foi demonstrada pelos subdelegados, durante o encontro. Eles vieram de municípios como São Carlos, Ribeirão Preto, Araçatuba, Piracicaba, Presidente Prudente e Barretos, por exemplo.

Estiveram em Bauru por causa da localização geográfica do município, eleito para sediar a discussão.