09 de julho de 2026
Nacional

Temporal causa mortes no fim de semana

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A chuva que atingiu o Estado no fim de semana provocou a morte de mais quatro pessoas. Ontem, em Santa Fé do Sul (623 quilômetros da Capital), dois irmãos foram arrastados pela correnteza de um córrego. Em Mairiporã (Grande São Paulo), um casal morreu soterrado depois que um barranco cedeu. No total, oito pessoas morreram em acidentes decorrentes dos temporais.

No sábado, um barranco desabou em Itaquaquecetuba (Grande SP) e atingiu a estudante Letícia Sabrina Maciel da Silva, 8 anos, que passava de bicicleta pelo local. No mesmo dia, em Guararema (também na região metropolitana), durante a chuva forte da noite de sábado, Antônio Luiz, 43 anos, perdeu o controle do Gol que dirigia em uma curva da Estrada Velha de Sabaúna. O veículo acabou caindo em uma lagoa.

O motorista e dois passageiros morreram afogados. Também foi registrada uma morte em Bebedouro (381 quilômetros de SP). A polícia de Mairiporã acredita que o deslizamento que matou um casal de idosos tenha ocorrido na madrugada de sábado para domingo.

Os corpos do pedreiro Antônio Alves dos Santos Irmão, 51 anos, e da dona de casa Maria Monteiro Honório, 66 anos, foram encontrados pelos vizinhos na manhã de ontem.

Os vizinhos contam que estranharam o fato de Irmão não ter descido até o bar próximo à sua casa para assistir ao jogo do São Paulo, na tarde de anteontem. “Ele era são-paulino e, quando o time ganhava, ficava brincando com todo mundo”, diz um homem que mora na vizinhança.

Ontem pela manhã, um dos vizinhos reparou que havia rastros de erosão nos fundos da casa do pedreiro. Ele foi até o local e constatou que as portas estavam fechadas. “O barranco derrubou a parede do quarto. A cozinha, o banheiro e a parede da frente ficaram em pé”, conta o agricultor José Vitalino Pereira, 62 anos.

Os amigos chamaram a polícia. Ao entrarem, viram o casal na cama, coberto por terra e tijolos. Segundo o delegado Antônio José Pereira, Irmão comprou o terreno - que fica na estrada do Remédio -, há cerca de um ano e construiu a casa há pouco mais de seis meses.

O barraco de alvenaria foi levantado em uma espécie de buraco no meio do terreno. A terra atrás do quarto cedeu e derrubou a parede, provocando a morte do casal. “A casa não tinha vigas nem pilastras de sustentação. Não tinha como segurar o deslizamento”, afirma Pereira.

O coordenador da Defesa Civil da cidade, Valdir de Faria, diz que a prefeitura não tinha registro da construção. “A área não é de risco, mas a casa estava em um local perigoso, próximo ao barranco.”

Segundo os vizinhos, Maria e Irmão moravam na zona norte da capital e resolveram se mudar porque a dona de casa “gostava de mato”. Ao lado da casa, havia um pequeno pomar. Na semana passada, ela teria carpido a região do barranco. “Sem mato, o acúmulo de água é maior”, diz o delegado.A reportagem tentou falar com parentes das vítimas, mas ninguém foi localizado.