09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Exegese da campanha contra a leishmaniose


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Obrigada, muito obrigada mesmo a quem tem colaborado com a campanha. Obrigada a quem mandou imprimir os folhetos informativos e a quem ainda o fará (pois está precisando). Também agradecemos aos jornalistas de todo porte, que nos têm entrevistado e assim ajudado a divulgar as informações e aos amigos e parentes que colaboram de diversas maneiras - desde a distribuição até o apoio moral e material. Deus abençoe a todos. Temos, com nosso pequenino exército, tentado vencer essa guerra, que pertence a cada cidadão, através da semente da consciência e da atitude.

Entregamos os folhetos: parte no Calçadão, Parque das Nações, Fortunato, Santa Fé, Bauru 16 e parte da Nova Esperança e Vila Dutra. O que nos resta atualmente dará para distribuir em mais um bairro ou dois, dentro do esquema que organizamos, visando atingir aqueles da periferia, que se encontram em situação mais crítica.

O folheto contém dados básicos sobre a contaminação, a doença em animais e homens, além de meios de evitá-la. Esses meios também proporcionam a prevenção de outras doenças e tornar a cidade mais limpa, além de mencionar os deveres públicos. Ao contrário do que algumas pessoas entendem, há deveres públicos e particulares e é fundamental que cada um cumpra os seus. Se o poder público não tivesse a sua parte a fazer (e, digamos, não a estamos conseguindo ver), para que precisamos dele? Para que pagamos impostos? Para pagar salários aumentados no início do mandato, mesmo sob a alegação das dívidas deixadas por outros? Para que as famílias dos ditos e dos legisladores continuem a manter seu padrão socioeconômico, enquanto a população não consegue ser bem atendida em suas necessidades?... E põe necessidade nisso!

Quando chegamos aos bairros, sob o sol, com nossa meio gasta camiseta com a foto do meu Fer, vamos colocando os folhetos nas casas, entregando uns pessoalmente, respondendo o que soubermos e aconselhando a levarem os animais e pessoas suspeitos ao respectivo médico. Não é difícil ver que um cachorro magro demais, com feridas, pêlos caindo e unhas crescidas pode estar doente. Isso não é diagnosticar, pois se o fizéssemos, seríamos charlatães... e somos honestos.

As pessoas se sentem respeitadas quando vêem que queremos seu bem e o de todos, gerando assim um incentivo para cooperarem: já que as raríssimas vistorias, as mais raras buscas de cães vadios e suspeitos e a informação insuficiente (visto que seu folheto só é deixado em residências onde o morador atende), só têm agravado a situação. Ah, ia me esquecendo da desinfecção que nunca foi feita onde há focos - o que permitiu à doença alastrar-se. Ah, e os terrenos públicos ou de empresas grandes, à volta da via férrea e dos riachos, cheios de entulhos e mato gigante?

Eu poderia ficar aqui dizendo mais exemplos, mas ia ficar muito tempo e o farei, caso necessite. Conheço gente doente, em tratamento, ou que se tratou, perdi meu filho mais velho, acompanhei todo seu incomparável sofrimento e não quero isso a outros, nem para os que não colaborarem ou tentarem confundir o que tentamos esclarecer. Sobre a tal posse responsável, comentarei depois, pois não há como condenar uma criança que tem seu bichinho de estimação, mas seus pais não têm um salário que permita gastar com os preços de veterinário e inclusive quando os que podem vão em seus bairros despejar seus animais condenados. É preciso amar a todos, mas o Senhor escolheu os pequeninos de várias maneiras para entrarem nos céus de graça. Vamos tentar?

Ana Maria Lellis Krupelis - RG 5.706.855-0