Teerã - O Irã anunciou ontem a retomada do processo de enriquecimento de urânio e adiou negociações agendadas com a Rússia para a formação de uma empresa binacional que produziria combustível nuclear em território russo.
As duas informações são novos marcos da escalada da crise e foram resposta à decisão tomada no último dia 4 pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de transferir o caso do programa nuclear iraniano ao Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que pode punir o Irã com sanções.
O regime islâmico tem reiterado que seu programa nuclear tem finalidades pacíficas, embora a AIEA suspeite que ele queira produzir a bomba atômica - em razão de informações omitidas aos inspetores daquela agência.
Um conselheiro científico da entidade ambientalista Greenpeace disse que, no atual estágio, o Irã não se capacitaria para a obtenção de matéria-prima para a construção de uma bomba, o que exigiria o trabalho simultâneo um número bem maior de centrífugas.
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusou os Estados Unidos pela atual crise e disse, em entrevista ao “USA Today”, que Washington faz “falsas alegações” sobre as intenções nucleares de seu governo.
A Rússia foi surpreendida pela decisão iraniana de adiar o reinício de negociações sobre a binacional de enriquecimento de urânio, marcado para esta semana. O porta-voz da diplomacia russa, Alexei Sazonov, disse que seu país não foi notificado do adiamento.