08 de julho de 2026
Nacional

‘PMDB não é indispensável’, diz Berzoini

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), afirmou ontem que a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro não depende de uma aliança com o PMDB. “Temos um diálogo, um trabalho na base do Congresso, mas não é um partido que possa avocar para si o [o papel de] fiel da balança”, disse Berzoini, em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura.

A declaração do presidente do PT foi uma resposta ao ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT-SP), que na semana passada disse, em entrevista ao blog do jornalista Ricardo Noblat, que “a chave da sucessão” está no apoio dos peemedebistas a Lula. Apesar de não condicionar a vitória de Lula ao apoio, o dirigente tenta convencer o PMDB a fechar uma aliança com o presidente.

Lula já chegou a sugerir a vaga de vice em sua chapa a peemedebistas da ala governista. No momento, porém, até eles têm dado declarações públicas de que não vão abrir mão da cabeça de chapa. Além dos peemedebistas, Berzoini tenta convencer os próprios petistas, cuja base sempre foi resistente à ampliação de alianças.

Ontem, no programa da TV Cultura, o presidente do PT afirmou que não pode haver “preconceito” na hora de escolher aliados, ao admitir negociação com o PTB e PL, apoiadores do governo com deputados envolvidos no escândalo do “mensalão”. Outro ponto polêmico será o debate das alianças estaduais.

Petista afinados com o Planalto querem que o partido abra mão da cabeça de chapa em algumas regiões. Até Berzoini admite tais acordos. “A prioridade é reeleger o presidente”, disse, em conversa antes do "Roda Viva", gravado pela manhã, já que, à noite, na hora de sua exibição, Berzoini iria à festa de 26 anos do PT, em Brasília.

Na entrevista, Berzoini disse que deputados petistas beneficiados por dinheiro do esquema do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza não podem ser “satanizados”. Afirmou que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) exagerou ao declarar que caixa dois é coisa de bandido. E partiu para o ataque aos adversários, citando denúncias de corrupção das quais tucanos foram alvo. Disse que entrará hoje com uma ação contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por ele ter dito, na semana passada, que “a ética do PT é roubar”.

Berzoini questionou a eventual candidatura à Presidência do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), acusando-o de descumprir promessa de campanha - de governar a cidade por quatro anos - e deixar o cargo para um “político desconhecido”, o vice-prefeito Gilberto Kassab (PFL).

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Ação contra FHC

São Paulo - O PT deve entrar hoje com ação na Justiça contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o presidente do partido, Ricardo Berzoini, FHC difamou e feriu a honra dos petistas com as declarações dadas em entrevista concedida à revista “Isto É” da semana passada.

Na entrevista, FHC criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusou o atual governo de corrupção. “Eu nunca ouvi falar em tanta corrupção como neste governo. As massas de dinheiro envolvidas são muito altas. Assustadoras”, disse na entrevista. FHC disse ainda que a “corrupção se organizou e teve a chancela do partido do governo”. “É um fenômeno novo. No governo Lula, a corrupção tem organicidade, foi arquitetada. É sistêmica”, continuou.

Ao comentar a entrevista, Berzoini disse que ela demonstra o destempero das relações FHC-PT. Para ele, também causa surpresa FHC dizer que nunca viu um governo tão corrupto. Berzoini, ao defender o governo Lula, ressaltou que o presidente determinou a investigação de todas as denúncias e que nada foi provado contra o governo até o momento.