Rio de Janeiro - O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, afirmou que há condições para que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP ) continue a cair. “Há conforto para a continuidade da redução da TJLP”, afirmou Furlan, referindo-se a variáveis favoráveis como o risco-país em queda e a inflação controlada, com meta de 4,5% para este ano.
No fim do ano passado, o governo anunciou a redução da TJLP de 9,75% para 9% ao ano. A taxa, que serve de referência para os financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estava em 9% há cerca de dois anos e gerava polêmica entre integrantes do governo.
Furlan esteve presente ontem de manhã ao anúncio de redução dos spreads cobrados pelo BNDES para conceder financiamentos. Em média, houve queda de 30% nas taxas básicas praticadas pelo banco de fomento. Também presente ao evento, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que a TJLP deve ficar sempre no mais baixo patamar possível. “A direção de reduzir a TJLP está correta, mas 9% ainda é elevado. Por que a taxa não pode ser de 7%, por exemplo?”, questionou Skaf.
Skaf afirmou que o caminho adotado pelo BNDES de reduzir os spreads é correto, mas disse que a medida não é suficiente para acelerar o crescimento. Na mesma linha, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Antônio de Mello, afirmou que só com o redirecionamento da política econômica haverá uma retomada forte dos investimentos.
Segundo o presidente do BNDES, Guido Mantega, o reflexo da redução dos spreads já será sentido neste ano no Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com a nova política operacional do banco, a prioridade é incentivar projetos na área de inovação tecnológica, cujo custo financeiro caiu pela metade: de cerca de 12% ao ano para 6%.