10 de julho de 2026
Internacional

ONU renova missão de paz no Haiti

Por Leila Suwwan | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - Com a indefinição do resultado das eleições e a incitação política para protestos nas ruas do Haiti, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou uma reunião de emergência e cobrou “moderação e estadismo” dos candidatos à Presidência para evitar um colapso da missão de estabilização no país, cujo mandato foi estendido por seis meses, até 15 de agosto de 2006. O Brasil detém o comando militar da Minustah, a força de estabilização, e contribui atualmente com 7.519 soldados e 1.777 policiais.

De acordo com o texto da resolução aprovada ontem por unanimidade, a estrutura da missão deverá ser revista após a transição eleitoral. O Brasil pretende sugerir a redução da presença militar e aumentar o foco em desenvolvimento e reformas institucionais. Para isso, será necessário resolver o problema com a indefinição das eleições realizadas na semana passada. Até hoje, ainda havia 10% das urnas a serem apuradas.

O Conselho de Segurança decidiu estabelecer uma comissão composta por representantes dos candidatos, Minustah e governo de transição para resolver o impasse até o final desta semana. Dos votos que restam - e que podem determinar se haverá ou não segundo turno - 3% dos votos haviam sido destruídos, 2% não haviam sido apurados e 5% não estavam localizados. O candidato favorito, René Préval já tem a maioria dos votos, mas faltava uma pequena quantidade para ele vencesse no primeiro turno.

Apelo à calma

Em nota à imprensa lida pelo presidente rotativo do Conselho de Segurança, o embaixador John Bolton, da missão dos EUA, foi feito um pedido indireto para que Préval mantivesse a calma até que os resultados finais da votação fossem verificados. “Os membros do Conselho de Segurança pedem que todos os líderes políticos do Haiti subam à altura da alta expectativa de seu povo neste momento crucial e demonstrem estadismo e moderação e se mantenham engajados no processo de reconciliação nacional”, dizia a nota, aprovada em reunião emergencial ontem pela manhã articulada pelo governo brasileiro com o governo norte-americano. “Pedimos também que todas as partes respeitem os resultados das eleições e se abstenham de manifestações violentas”, acrescentou o comunicado.

Enquanto isso, diplomatas se esforçavam para manter o aspecto de tranqüilidade, afirmando que os protestos eram normais, dada a tensão política acumulada nos últimos dois anos, depois da derrubada do ex-presidente Jean Bertrand Aristide, hoje exilado. O Conselho de Segurança vem recebendo informações diárias sobre a situação no Haiti nos últimos três dias, e o Departamento de Operações de Paz considera a situação “altamente instável”.

Já um porta-voz da Minustah, Damien Cardona, disse que “a situação ficará calma muito em breve” e que “as manifestações não têm sido violentas”. Para ele, a atitude do Conselho de Segurança deu uma forte sinalização de que acompanha de perto a situação, elemento de forte pressão para o encaminhamento pacífico das eleições.

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‘Erros grosseiros’

Porto Príncipe - O candidato que lidera a disputa pela Presidência do Haiti, o ex-presidente René Préval, afirmou ontem que ocorreram “erros grosseiros e provavelmente uma gigantesca fraude” nas eleições do dia 7 de fevereiro.

Eleitores de Préval têm protestado contra os resultados parciais da apuração dos votos desde o final da semana passada, quando os números mostraram o ex-presidente abaixo da marca de 50%, o que levaria o pleito para um segundo turno. “Nós queremos que o desejo do povo do Haiti seja respeitado”, afirmou Préval em uma entrevista coletiva.

O regime do ditador cubano, Fidel Castro, acusou Washington de ajudar a manipular os resultados das eleições. “O que está acontecendo no Haiti não deveria ser surpresa”, disse um editorial de primeira página do jornal “Granma”, do Partido Comunista. O texto elogia o candidato de centro-esquerda que lidera a apuração, René Préval, chamando-o de “um homem de grande prestígio, que serviu ao povo”.

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