O novo sistema de fornecimento de remédios de alto custo a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) está gerando reclamações por parte dos usuários. A demora para o atendimento, em alguns casos, chega a três horas. Segundo a assessoria de comunicação do hospital, o número de pessoas atendidas aumentou. Antes, quando funcionava na Direção Regional de Saúde (dir-10), o paciente entrava com um processo e duas semanas depois podia retirar o seu remédio. Atualmente, todo o procedimento é feito na hora.
Mesmo com a agilidade para resolver possíveis problemas de processo, a demora para o atendimento está deixando muitos usuários insatisfeitos. Há dois anos retirando o medicamento para a sua mãe na farmácia de medicamentos de alto custo, uma leitora que preferiu não se identificar, contou que teve de chamar seu pai para assumir seu lugar na fila, para poder ir trabalhar. “Antes, eu saía com o remédio em no máximo 15 minutos. Nessa última vez, cheguei às 6h30 para pegar uma senha. A farmácia abriu às 9h. Mais de meia hora depois meu pai veio ficar no meu lugar. E ele só foi atendido às 11h”, conta.
Segundo a assessoria de comunicação do Hospital Estadual, a distribuição dos remédios funciona até as 17h, mas os usuários ainda se concentram pela manhã. Durante à tarde, quase não há procura, informa a assessoria. Além disso, como os casos são discutidos individualmente e resolvidos na hora, a espera pelo atendimento pode demorar ainda mais. “E quem trabalha? Eu não posso perder um dia de trabalho para buscar o remédio”, questiona a usuária.
No Hospital Estadual, o contingente de usuários atendidos pela farmácia também subiu. Em janeiro, o número de pessoas que procuraram a farmácia de distribuição de medicamentos de alto custo foi 20% maior que em novembro do ano passado, quando o fornecimento ainda era feito pela DIR. Esse acréscimo de usuários pode ser explicado pela localização da farmácia. Como está abrigada numa unidade de saúde, os pacientes do próprio hospital procuram o sistema, além do contingente regular de usuários.
Outro fator que está atrasando os procedimentos é o sistema utilizado para o controle dos processos. Todas as informações dos usuários estão inseridas no programa eletrônico da unidade e os funcionários ainda estão se familiarizando com o sistema. Segundo a assessoria de comunicação da entidade, como são muitas informações armazenadas, às vezes o programa fica lento. “Imagino que, como é num lugar novo, os funcionários ainda estejam aprendendo. Tudo bem que o remédio é um direito que a população tem. Mas não precisava demorar tanto”, critica a usuária. Os usuários que tiverem alguma queixa do procedimento devem procurar o serviço de atendimento ao usuário do hospital para registrar a sua reclamação.