11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bônus pago pelo Estado desagrada professores

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O bônus do magistério, liberado anualmente aos educadores da rede estadual de ensino, descontentou professores de Bauru. Eles alegam que esperavam receber valor maior que o depositado em suas contas. O benefício foi pago na sexta-feira para cerca de 1.750 docentes do município.

A professora Lara Sampaio, que diz ter sacado R$ 295,00 referente ao benefício, ou seja, cerca de R$ 900,00 a menos que o valor mínimo estipulado pelo governo, é uma das reclamantes. “Eu esperava, no mínimo, os R$ 1.200 prometidos. Vamos montar um grupo de professores para reivindicar essa cota e também o parâmetro que foi usado para esse pagamento, até então, não divulgado”, argumenta. A também professora Dora Bertoloni recebeu R$ 701,00 de bônus, valor que a decepcionou. Ela diz que teve poucas faltas durante o ano.

“Não usei nem as minhas faltas abonadas, as quais tinha direito sem desconto em folha de pagamento. Por isso, não entendo porque recebi valor menor do mínimo estabelecido. Também ainda não sei quais foram os critérios de cálculo usados pelo governo”, salienta.

O professorado diz que o secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, prometeu, ainda no ano passado, que a verba disponibilizada ao pagamento do bônus neste ano, de R$ 572 milhões, seria maior que a de 2005, quando atingiu R$ 760 milhões.

Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação, cerca de 15% do valor total que foi aplicada ao pagamento do benefício foi usado em outubro do ano passado para o reajuste do salário do professorado e também à concessão da Gratificação Adicional do Magistério (GAM). Também disse que o número de critérios para a obtenção do bônus aumentou e que os valores mínimo, de R$ 1.200, e máximo, de R$ 10 mil, não foram alterados. A assessoria informou ainda que não tem o conhecimento de que Chalita teria divulgado que o volume de dinheiro destinado ao benefício neste ano seria a ser maior que o do ano passado.

O dirigente regional de ensino substituto de Bauru, Paulo Maximino, diz que o pagamento do benefício está correto. Ele ressalta que o recurso, por conta de corresponder à sobra do dinheiro do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), pode variar de um ano para o outro.

“Não existe prejuízo para ninguém. O pagamento foi justo para todos e pago de acordo com o cumprimento das determinaçõe”, observa Maximino. A diretora regional do Sindicato dos Especialistas do Magistério do Ensino Público do Estado de São Paulo (Udemo), Maria José de Oliveira Faustini, informa que os professores que se sentiram prejudicados vão pedir revisão dos valores pagos à Secretaria Estadual da Educação.

“A secretaria nos explicou que os critérios ainda não foram publicados e nem há data para divulgação dessas normas. Só mediante os critérios o sindicato terá condições de ver caso por caso e recorrer”, relata. “Também nos foi explicado que o volume de dinheiro do bônus neste ano foi reduzido em 25% em relação ao ano passado por conta do reajuste salarial e do GAM concedidos em outubro de 2005”, comenta.

____________________

Descontentamento

A professora Maria Luiza de Camargo, 52 anos, está indignada com o valor que recebeu referente ao bônus. Segundo ela, apesar de ter procurado cumprir todas as exigências que foram solicitadas no ano passado, seu benefício, líquido, foi de R$ 4.200. Em 2005, faturou R$ 9.800 bruto - R$ 6.600 líquido.

“Quero uma explicação para isso porque não entendo por qual motivo o valor da minha gratificação diminuiu tanto se o meu desempenho foi o mesmo que o do ano passado”, reclama.

A mesma situação vive a professora Jaira Mattos da Silva, 59 anos. Neste ano, ela diz ter recebido R$ 2.700, mas esperava R$ 7 mil, no mínimo. “Só tive duas faltas, inclusive trabalhei doente para conseguir uma quantia melhor que a de 2005, quando também recebi R$ 2.700. Porém, no ano passado, tive 15 faltas. Estou sem entender”, completa.