Apesar da segunda bomba das três que captam água do rio Batalha ter sido ligada às 9h30 de ontem, o abastecimento em Bauru ainda não está normalizado. Ontem, faltou água em vários bairros da área central e zonas oeste e sul - Vila Falcão, parte da Bela Vista, Jardim Ouro Verde, Vila Popular Ipiranga e Parque dos Sábiás. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) recebeu cerca de 500 reclamações de que as torneiras estavam secas e recorreu a dois caminhões-pipa para atender os casos mais urgentes. Ao todo, foram atendidas 44 solicitações, segundo a assessoria de imprensa da autarquia.
O abastecimento de água em Bauru foi prejudicado pela chuva do final de semana, que transportou uma grande quantidade de vegetação – taboas e aguapés – e terra para a estação de captação do DAE. Para que as bombas de captação não queimassem, foram desligadas na madrugada de segunda-feira. A primeira voltou a operar no mesmo dia à tarde, mas como a água estava com muitos sedimentos e os funcionários ainda trabalhavam na retirada da vegetação, a segunda só foi acionada ontem pela manhã.
Com isso, 10% do sistema do rio Batalha, que abastece 40% de Bauru, ainda está prejudicado, explica Vera Lúcia Andrade, assessora de imprensa do DAE – o restante da cidade recebe água dos poços profundos. A expectativa é que a terceira bomba entre em operação hoje pela manhã, mas a assessoria avisa que a água pode demorar para chegar às regiões altas porque os reservatórios estão vazios. Por isso, a população precisa economizar água, pede a assessora de imprensa. “E também ter um pouco mais de paciência”, completa.
Enquanto o abastecimento não é normalizado, o DAE está levando água a escolas, unidades de saúde, órgãos públicos, comércio e até residências com caminhão-pipa. Proprietário de um restaurante no Higienópolis, Celso José da Silva conta que ficou totalmente sem água ontem, após o almoço, para fazer a limpeza do estabelecimento. “Na verdade, a água acabou já na segunda-feira. Mas tínhamos um outro reservatório, que nos abasteceu hoje (ontem) cedo apesar de termos de buscar água fora para terminar o almoço. Mas depois ficamos sem condições de fazer a limpeza. Esperamos o caminhão-pipa”, relata.
Já a dona de casa Aparecida Antônia Ribeiro, que mora na Vila Popular Ipiranga, recorreu a um vizinho que tem reservatório domiciliar grande. “Ficamos sem água na segunda-feira e não deu para lavar roupa. Na verdade até banho tomamos no vizinho. Hoje (ontem) chegou água, mas bem fraquinha que não deu nem para encher a minha caixa, que é de 500 litros. Tudo o que chega estamos gastando”, relata ela, que reclama de outros problemas no bairro.
O abastecimento por caminhão-pipa, que é feito gratuitamente, será retomado hoje, às 7h, segundo o DAE. No final da tarde de ontem, a previsão era abastecer reservatórios de prédios, condomínios e demais locais de consumo unificado durante a noite e madrugada de hoje. Hoje, o Centro ainda deve sofrer com falta d´água, principalmente a partir da rua Bandeirantes, e os Altos da Cidade. A expectativa é que o abastecimento seja normalizado hoje à tarde.
• Serviço
Reclamações de falta de água e pedidos de caminhão-pipa devem ser feitos pelo 0800-7710195
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Mais difícil
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) decidiu não ligar ontem a terceira bomba que capta água do rio Batalha por dois motivos: Devido às características, com muita terra e vegetação, o processo de tratamento da água é mais demorado e complexo. Além disso, ontem ainda havia bastante vegetação na estação de captação, que poderia queimar a máquina.
A assessoria de imprensa da autarquia informa que, reduzindo a vazão da água tratada, consegue manter o padrão de qualidade do produto distribuído à população. Ontem uma equipe do DAE continuava trabalhando na limpeza da lagoa de captação. A previsão era que os serviços seguissem à noite toda.
A assessoria de imprensa da autarquia pondera que problemas de desabastecimento como este, provocados por causas naturais, podem ser melhor enfrentados pela população e até eliminados se os consumidores mantiverem caixas d’água de volume compatível com o número de pessoas da casa. Há estudos que apontam que cada habitante gasta entre 180 e 200 litros de água por dia. O reservatório domiciliar deve ser compatível com o número de moradores.