Brasília - O ex-diretor de Furnas Dimas Toledo disse ontem que é falsa a lista de Furnas - na qual são citados políticos que supostamente foram beneficiados com um esquema de caixa dois- e disse que não conhece o lobista Nilton Monteiro, responsável por repassar o documento à Polícia Federal (PF) e autor das denúncias sobre irregularidades em campanhas tucanas mineiras em 1998.
“Quero negar veementemente qualquer participação na sua elaboração (da lista). Trata-se de uma montagem ou uma falsificação cheia de não conformidade que visam unicamente manchar o nome das pessoas e empresas ali citadas”, afirmou Toledo, que presta depoimento na CPI dos Correios. “Afirmo que nunca ajudei com recursos de qualquer empresa ou de qualquer origem a nenhum parlamentar”, continuou o ex-diretor.
A CPI dos Correios convocou Toledo para prestar esclarecimentos sobre a existência ou não da lista de Furnas, com suposta relação de 156 políticos de 12 partidos políticos (PDT, PFL, PL, PMDB, PP, PPS, Prona, PRTB, PSB, PSC, PSDB e PTB). Todos teriam recebido dinheiro de um esquema de caixa dois montado a partir da estatal.O valor total das doações é de R$ 39,665 milhões. Teriam sido efetuadas nas eleições de 2002. A data no papel é 30 de novembro de 2002. A autenticação do papel fotocopiado, entretanto, deu-se em 22 de setembro de 2005.
À PF, Toledo já negou a autenticidade da lista. Até agora, a polícia tem apenas uma fotocópia autenticada da lista com a assinatura do ex-diretor. O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB) disse que, em abril de 2005, Toledo esteve em sua casa e ofereceu uma mesada de R$ 1,5 milhão do suposto caixa dois da estatal para o PTB.
Jefferson foi o autor das denúncias envolvendo o suposto esquema, em entrevista em junho do ano passado. À época, Dimas negou as acusações. O esquema, segundo Jefferson, foi “herdado” pelo ex-ministro José Dirceu, que também negou as acusações. Anteontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar que garante ao ex-diretor de Furnas o direito de não responder a perguntas que possam incriminá-lo durante o depoimento.
Monteiro
O relator da CPI dos Correios, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou ontem que é pré-condição para o depoimento do lobista Nilton Monteiro que ele apresente os documentos que diz ter sobre a caixa dois de Furnas à Polícia Federal. “Nós discutimos e chegamos a uma conclusão: o Nilton Monteiro prossegue dizendo que tem mais documentos. Ele deve apresentá-los à Polícia Federal, onde já prestou depoimento. Se ele não apresentar, fica parecendo chantagem. Nós não nos opomos a ouvir o Nilton Monteiro, mas antes queremos que ele apresente esses documentos”, disse Serraglio.
De acordo com Serraglio, a Polícia Federal poderia avaliar a autenticidade dos papéis e somente então, a CPI definiria a data e se realmente o lobista seria ouvido. Lista de Furnas Nilton Monteiro, junto com o ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, está no centro do mais recente escândalo político de Brasília: a chamada “lista de Furnas’, um documento de autenticidade não-comprovada com doações para 156 políticos de 12 partidos por meio de caixa dois com origem na estatal e relativa à campanha de 2002.
O lobista já entregou à Polícia Federal o que seria uma cópia dessa lista, um conjunto de cinco folhas de papel sem autenticação. Segundo Monteiro, o documento é de autoria de Dimas Toledo, que nega a autenticidade da lista. O lobista, por sua vez, diz ter provas de que a lista é verdadeira. Pelo menos um dos políticos confirmou o valor repassado: o deputado cassado Roberto Jefferson, um dos pivôs do escândalo do “mensalão”, que admitiu ter recebido R$ 75 mil, valor registrado na lista.
O depoimento de Nilton Monteiro e do ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, tornou-se motivo de conflito entre oposição e base aliada. Os petistas insistiam para que Nilton Monteiro fosse à CPI antes de Dimas, que prestou depoimento ontem.