08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Acaso


| Tempo de leitura: 1 min

Neste acaso de vida, não me prestarei aos mercenários para que os mesmos não se sirvam de meu dorso para suas cavalgadas ideológicas , pois oculto como o breu da noite, mas com a clareza dos diamantes, me farei pétrio e impenetrável como o silêncio dos memoriais, evitando que minha mente sirva de incubatório para gestar e reproduzir filosofias inúteis,que através de berros ressoam nas periferias,onde os miseráveis são despertados pelos uivos desses lobos babilônicos, que travestidos de pastores não se sensibilizam com a pobreza útil e feia de pessoas mal trajadas, pois já perderam o referencial do que é belo e do que é ridículo. As crianças de pés descalços, maltrapilhas e desgrenhadas brincam sujas nos bancos de areia de verdadeiras trilhas que, descaradamente, são chamadas de rua pelo poder público, mas que, apesar de tudo, acreditam no milagre da vida. Por isso, em transe pela sobrevivência, desfilam diante de líderes mal intencionados em cujos olhos vê-se claramente estampado em suas retinas, em alto relevo, um cifrão. E, com o fruto de um “belo trabalho social”, é alimentado o nefasto circulo vicioso da ignorância e miséria. Isso me leva a recorrer ao grande poeta dos escravos que, diante de tanto horror, olhou para o horizonte dos mares da Bahia que o separava da África e exclamou: oh! deus dos desgraçados!

Lázaro Carneiro