09 de julho de 2026
Internacional

TV exibe novos abusos em Abu Ghraib

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - Um canal de TV da Austrália exibiu ontem fotos e vídeos inéditos de maus-tratos contra detentos iraquianos ocorridos em 2003 na prisão de Abu Ghraib, mantida pelos EUA perto de Bagdá. As imagens de prisioneiros nus, alguns ensangüentados e jogados pelo chão, podem ser contemporâneas às divulgadas em abril de 2004 e que provocaram uma polêmica internacional, de acordo com o canal SBS.

Alegando seu conteúdo chocante, o programa “Dateline”, do SBS, não divulgou todas as centenas de imagens que obteve. Um dos vídeos mostra cinco homens encapuzados se masturbando em frente à câmera. Em outra imagem, um detento algemado bate a própria cabeça contra a porta de metal de uma cela. Ele é visto depois lambuzado de fezes e dependurado de cabeça para baixo e nu em um beliche dentro de uma cela.

Como em 2004, vários detentos nus e encapuzados aparecem amontoados e ameaçados por cães. Há também imagens de um homem com um corte profundo no pescoço e de presos supostamente mortos. É possível ver o rosto dos militares americanos envolvidos nos abusos em poucos casos.

De acordo com o SBS, muitas das novas imagens mostravam os soldados Charles Graner e Lynndie England - dois dos militares americanos que já foram processados pelos abusos - fazendo sexo. Exibidas por canais de TV árabes como Al Arabiya e Al Jazira, as imagens indignaram a região e provocaram pedidos de retirada das tropas estrangeiras. “Essas fotos reacendem uma dor que começou com a ocupação do Iraque. Foi uma facada no coração ver meu povo pagando por nenhuma razão”, disse o professor iraquiano Hanan Adeeb.

O SBS se negou a dar detalhes sobre a procedência das imagens, mas afirmou que elas fazem parte de um pacote que a ONG American Civil Liberties Union estava tentando obter do governo americano sob a Foia, lei sobre a liberdade de informação.

O porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, criticou a divulgação. “Os maus-tratos em Abu Ghraib foram amplamente investigados”, disse. “O departamento acredita que novas divulgações de imagens possam inflamar e possivelmente incitar uma violência desnecessária no mundo e pôr em perigo nossos militares que estão servindo ao redor do mundo.” O governo iraquiano concordou.