Alguns amigos reclamam que só conto os fatos ocorridos com eles, omitindo aqueles que aconteceram comigo. Poderia até parodiar o vigoroso zagueiro do Noroeste dos anos 60, o Virgilio, e dizer que os casos “sem migo” são os melhores. Vou abrir uma exceção e contar um.
Dia de meu aniversário, acordo e DoceAna está pronta para sair para o trabalho, olhando toda hora para o relógio, preocupada com o atraso (de horário). Despede-se e tiro o sarro:
- Pô... não fez café?
- Perdi hora! Você faz?
- Tudo bem!
E saiu correndo para o trabalho.
Cinco minutos depois toca o interfone:
- Pronto...
- Por favor, o senhor Marcolino...
- Aqui não tem ninguém com esse nome!
- Desculpe!
O interfone tocou mais duas vezes atrás do tal do Marcolino.
Na última, perdi a boa:
- Amigo... lá em Bauru... o nome é Ricardão e não Marcolino!
Meia hora depois o interfone volta a tocar:
- Seo Antonio?
- Sim...
- Uma encomenda para o senhor...
Abri a porta e encontro um entregador com uma cesta matinal, solicitando desculpas:
- O sinhô adescurpa... a muié lá da loja errou o nome do sinhô...
- Tudo bem.
Agradeci e depois descobri que a mulher não tinha errado. Apenas tinha marcado que a cesta era para ser no tom masculino e que o gentil entregador havia traduzido para marcolino...
Antonio Pedroso Júnior