09 de julho de 2026
Geral

Sinserm denuncia falta de docentes no Município

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Antes mesmo da saída dos 28 professores municipais, a prefeitura já mantinha o quadro de docentes abaixo do necessário, aponta o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm). “A rede municipal já está operando com cerca de 50 professores substitutos e de 20 a 30 professores efetivos a menos do que o necessário”, contabiliza a diretora do sindicato, Eliane Koti.

Para a sindicalista, que também é professora, a falta de concursos prejudica ainda mais o quadro. “Após 10 anos foi feito um concurso para diretores. Os professores que assumiram ainda correm o risco de perder o cargo, pois está correndo uma ação na Justiça. E não foram chamados professores para substituir esses que passaram para a administração escolar. Além disso, muitos docentes estão atuando em serviços internos da secretaria, defasando ainda mais o quadro da rede”, conta.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) aponta que a opção pela rede estadual é mais vantajosa. “O Estado ficou mais de 15 anos sem abrir processo de seleção. Enquanto isso, o ensino ia sendo municipalizado, absorvendo os professores. Agora que foram chamados, eles optaram pelo Estado, com melhores vencimentos e plano de carreira”, explica Maria José de Oliveira dos Santos, coordenadora da Apeoesp.

Outra vantagem apontada pela sindicalista é sobre as inovações pedagógicas. “Sempre temos novidade sendo aplicada nessa área, no Estado. Apesar de sempre estarmos na luta pelos nossos direitos, a rede estadual compensa”, avalia a coordenadora.

A diretora do Sinserm, concorda. ”Falta investimento da prefeitura para os professores. O salário dos docentes de Bauru é um dos mais baixos do Estado. Por isso, todos os professores convocados deixaram a prefeitura e isso vai de encontro à falta de valorização”, observa Koti. Para o sindicato, a rede municipal saiu no prejuízo. “Perdemos excelentes profissionais. Professores interessados, que buscavam se aprimorar e que querem subir no magistério”, lamenta a diretora.

Desmotivada

Uma professora que preferiu não se identificar foi chamada para assumir aulas numa escola estadual da Capital, e como não conseguiu sua transferência para Bauru acabou desistindo. Há seis anos na rede municipal, ela lamenta a oportunidade perdida. “É desmotivante. A gente acaba trabalhando apenas por gostar de dar aulas. O salário é muito ruim”, critica.

Suzi da Silva, diretora da Apeoesp e professora da rede estadual e da prefeitura de Agudos, explica que os professores que já estavam na rede municipal há mais tempo conseguiram acumular as duas funções. Sobre as diferenças entre as redes, ela garante que o Estado leva vantagem. “Na rede estadual, você trabalha mais, mas também recebe mais”. Além disso, Silva explica que o município não possui condições de investir na formação do professor como o Estado. “Os cursos do Estado contam para o currículo do professor na rede municipal, mas os cursos ministrados pela Prefeitura não contam para o Estado na hora de analisar o seu currículo”, explica.

Apesar dos benefícios do Estado, ter de deixar a rede municipal foi muito difícil para o professora Rosemeire Aparecida Saraiva Chibebe.

Ela trabalha há 25 anos na rede estadual, como temporária e há três lecionava no município. “Tive a oportunidade de me efetivar, mas não consegui acumular os dois turnos. Então, optei pelo Estado, onde tenho mais benefícios. Mas foi com dor no coração, pois tenho paixão pelas aulas na rede municipal”, conta.

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Transporte de alunos

O dirigente regional de ensino substituto de Bauru, Paulo Maximino, se reuniu anteontem com a secretária municipal da Educação interina, Márcia Zwicker, para discutirem a possibilidade da Secretaria Municipal passar a transportar os alunos do ensino médio matriculados em escolas estaduais.

Para atender ao pedido, a Secretaria de Educação solicitou à Diretoria Regional de Ensino que fizesse um requerimento oficial à pasta. O documento será submetido à análise. A secretaria municipal, já adianta que não irá assumir o transporte de novos alunos sem que haja acréscimo no repasse de recursos.

Atualmente, o município é responsável pelo transporte de cerca de 3.800 alunos de escolas estaduais do ensino fundamental através de um convênio com o Estado.