11 de julho de 2026
Bairros

Erosão aberta pela chuva ‘separa’ Ferradura ao meio

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

A forte chuva de anteontem ainda causará transtornos aos moradores da periferia de Bauru por muito tempo. O Ferradura Mirim, na zona sudeste da cidade, está novamente dividido ao meio por causa da erosão aberta na rua Natal Fornazari. A cratera aberta pela enxurrada, de vários metros de extensão, deixou à mostra tubulação de água e esgoto. Para piorar, a chuva também abriu erosão num trecho da avenida Cruzeiro do Sul, próximo ao bairro.

Do outro lado da cidade, na Vila Industrial, a enxurrada aumentou erosões já existentes. Nos dois bairros, a erosão impediu o tráfego de ônibus e automóveis. A pé ou de bicicleta, as pessoas precisam desviar das crateras e torcer para que a chuva não volte no final de semana. Para diminuir os transtornos, funcionários da Secretaria Municipal de Obras trabalharão amanhã e domingo na recuperação dos estragos.

Ontem, o dia foi de muito trabalho para os moradores dos dois bairros para limpar as residências invadidas por lama, retirar galhos de árvores que caíram com a chuva e lixo espalhado pelas ruas. A presidente da Associação de Moradores do Ferradura Mirim, Gisele Moretti, conta que já está acostumada a ver as ruas do bairro, todas sem asfalto, serem tragadas por erosões durante chuvas fortes.

Devido ao tamanho dos buracos, ela não consegue mais sair de carro, apenas de moto. “A erosão pegou quase toda a rua Natal Fornazari e não posso sair de carro. Ele fica estacionado em frente de casa e não tenho medo de roubo porque o ladrão não poderia removê-lo”, diz. A chuva também afetou o abastecimento de água. Até ontem de manhã, as casas da rua 3, inclusive a de Moretti, e da rua Natal Fornazari, estavam sem água. Mas o Departamento de Água e Esgoto (DAE) informou que o abastecimento já havia sido normalizado no final da manhã.

Quando caminha a pé pelo bairro, Moretti aponta mais perigo. “Tenho medo de que as galerias de água sejam engolidas pela erosão”, desabafa. A suspeita da moradora não é exagero. “Se chover mais forte do que anteontem, corremos o risco de perder a obra de galeria pluvial que foi concluída no ano passado”, revela o secretário municipal de Obras, Leandro Dias Joaquim.

Ele explica que o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) – órgão do Sistema Estadual de Recursos Hídricos - destinou aproximadamente R$ 15 mil para a drenagem da água, através de construção de tubulações. A licitação está em andamento desde janeiro e a previsão é que as obras comecem em abril, após a época de chuvas.

Até a conclusão da licitação, a Secretaria Municipal de Obras adota medidas paliativas. Ontem, funcionários retiraram a terra que desceu com a força da chuva e ficou acumulada na avenida Jorge Schneyder Filho, no Ferradura Mirim. Também fizeram uma barreira dentro da erosão aberta na avenida Cruzeiro do Sul para mudar o curso da água e evitar que o buraco aumente. Enquanto o problema não é solucionado, crianças brincam dentro das erosões, em meio a lixo e a canos de água.

Vila Industrial

Erosão e buracos também são reclamações freqüentes dos moradores da Vila Industrial. “Como as erosões aumentam a cada dia, fica cada vez mais difícil para viaturas da polícia e ambulâncias trafegarem”, afirma a moradora Sidinéia da Silva. Trechos das ruas Salvador Filardi e Santa Maria sem asfalto são apontadas como as mais prejudicadas.

“Antes, o ônibus passava pela rua Salvador Filardi. Mas, a benfeitoria só durou duas semanas. Logo vieram as chuvas e o ônibus não conseguiu mais passar. Fica difícil porque temos que andar várias quadras até chegar ao ponto de ônibus mais perto”, fala. No final da rua Antônio Guedes de Azevedo, a água fica acumulada. “Os carros não conseguem passar e a água junta pernilongos”, diz Silva.

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Terraplanagem

Ainda resolvendo os transtornos ocasionados pela chuva, o secretário municipal de Obras, Leandro Joaquim, disse que os funcionários da pasta trabalharão amanhã e domingo em terraplanagem e drenagem de água em estradas vicinais e no Jardim Silvestre.

Ontem, máquinas da prefeitura trabalharam na avenida Nações Unidas, no Jardim Mendonça, no Ferradura Mirim e estradas vicinais.