São Paulo - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) lança neste ano campanha nacional pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas e pela limitação das horas extras. Segundo dados preliminares de estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-Econômicos (Dieese), 78% dos trabalhadores em diversos segmentos de comércio e serviços, metalúrgicos, químicos, transporte e vestuário afirmam fazer hora extra.
O presidente da CUT, João Felício, disse que a campanha vai figurar entre as principais bandeiras da entidade, ao lado da reivindicação pelo aumento do salário mínimo. “Acredito pelo que se refere do Ministério do Trabalho, no que depender do (Luiz) Marinho, vamos ter apoio”, diz João Felício, presidente da CUT.
Felício afirma que pretende levar a discussão a outras centrais para encaminhar uma proposta conjunta de projeto de lei ao Congresso. Segundo os cálculos da central, a redução da jornada de trabalho para 40 horas poderia gerar 1,8 milhão de novos postos de trabalho. Já o fim das horas extras ou mesmo a limitação poderia gerar mais 1 milhão de vagas.
Horas extras
Segundo a pesquisa, a esmagadora maioria dos entrevistados justifica a jornada além da regulamentar para complementação da renda da família. Quase metade dos pesquisados têm entre 25 e 39 anos, sendo que 58% são casados e 66% têm filhos que dependem economicamente deles. De acordo com a central, a pesquisa foi a primeira feita com o objetivo de obter a percepção dos trabalhadores a respeito das horas extras. Não há dados sobre quantas horas a mais o trabalhador realiza.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define um limite de duas horas a mais de trabalho. A Central quer também uma limitação semanal, mensal e anual. A pesquisa aponta ainda que apesar de 55% dos que fazem hora extra afirmarem que estão na empresa há mais de quatro anos, 23% afirmam trabalhar além da hora para demonstrar compromisso com a empresa.
Segundo a economista da subseção do Dieese, Patricia Toledo, as condições de trabalho têm se deteriorado e cerca de metade dos trabalhadores metalúrgicos disseram que estão fazendo mais horas extras do que há dois anos, embora não quantificassem. A pesquisa foi feita no segundo semestre do ano passado junto a 3 mil trabalhadores de empresas de todos os portes.