Brasília - O vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), afirmou que a tradição do partido tucano na escolha de candidatos deve ser mantida neste ano na disputa para a Presidência. Ou seja, a decisão sobre o nome da legenda na disputa presidencial caberá aos poucos caciques do partido.
Como o presidente do partido, Tasso Jereissati (CE) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resistem à idéia de prévias, seria preciso encontrar um consenso em torno dos nomes cotados para a disputa: José Serra, prefeito de São Paulo, e Geraldo Alckmin, governador do Estado. Caso não haja unanimidade em torno de um nome, Álvaro Dias adiantou que a cúpula do partido será consultada. Serão levadas em consideração “pesquisas qualitativas” e a “opinião popular”.
Anteontem, o PSDB analisaria duas pesquisas de opinião de “consumo interno”. Os levantamentos levariam em consideração o índice de rejeição a cada um dos nomes e o conseqüente potencial de crescimento dos dois. Conforme avaliação de outras lideranças do partido, Serra teria vantagem.
De acordo com a pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta semana, o impacto da saída de Serra para a disputa da campanha seria reduzido. Dos 2 mil entrevistados, somente 25% consideram que a saída da prefeitura causaria prejuízos para a imagem do prefeito.
Alckmin
O governador de São Paulo e presidenciável tucano Geraldo Alckmin negou que tenha sido desprestigiado ao não participar do jantar realizado anteontem entre o também presidenciável José Serra, o prefeito de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador e presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissatti, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. “O jantar com eles já estava marcado para essa quarta-feira à noite, mas eu tinha compromisso em Santa Catarina. Nos próximos dias, a gente deve estar marcando”, disse Alckmin, que participou de cerimônia ontem na Faculdade de Medicina da USP.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virtual e único presidenciável do PT, ascende nas pesquisas eleitorais, o PSDB vive em um aparente impasse, sem escolher entre o pré-candidato declarado Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra, que até o momento não assumiu a intenção de disputar a indicação do partido.
O jantar de anteontem à noite foi mais um episódio das articulações para eleger o indicado já que, publicamente, os tucanos não consideram a hipótese de fazer eleições prévias para decidir no voto quem vai enfrentar o presidente Lula nas eleições de outubro, a exemplo do PMDB.
O prefeito Serra, que também participou da cerimônia, mencionou o jantar quando questionado e admitiu que o tema “eleição” foi discutido mas evitou detalhar o teor da conversa com as lideranças tucanas.