10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bunge fecha fábrica e demite 162

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

A Bunge Alimentos de Bauru, que fabricava óleo, farelo e línter (fibra de algodão de até 12 milímetros) a partir do caroço de algodão, surpreendeu os funcionários ontem de manhã ao anunciar a demissão de 162 dos 180 que trabalhavam na unidade - aos outros 18 foi dada a opção de transferência. A indústria interrompeu as atividades na cidade por período indeterminado e vai avaliar se, futuramente, venderá a fábrica ou produzirá outros tipos de alimentos.

Localizada na quadra 11 da rua Felicíssimo Antônio Pereira, na Vila Independência, a fábrica funcionava desde 1937 e atualmente processava anualmente 150 mil toneladas de caroço de algodão, sua principal matéria-prima. E é justamente a matéria-prima o principal motivo para a interrupção das atividades. A Bunge informou, através de sua assessoria, que o fato da plantação de algodão no Estado de São Paulo ser pequena - 7% do total no Brasil - levou à decisão.

Também teria pesado na balança o fato de os maquinários serem antigos. Seria necessário alto investimento para modernizar a fábrica. Os funcionários entrevistados pelo JC ontem, em frente à unidade de Bauru, contaram que não sabiam da demissão em massa.

Eles foram informados de que haveria mudança no turno de trabalho, um fato comum na época de entressafra, entre dezembro e abril. Todos foram convocados a entrar às 8h. “Quando cheguei para trabalhar, avisaram para eu não bater o cartão (de ponto) porque haveria uma reunião”, conta o funcionário Wilson de Brito. “Foi uma surpresa para todos”, afirma.

“Só fomos avisados que o preço do algodão subiu e não compensava mais a industrialização”, diz outro funcionário, Marcelo da Silva.

Já Luiz Carlos Turci conta que havia boatos da suspensão das atividades da unidade de Bauru. “Ninguém confirmava, mas alguns funcionários já estavam desconfiados”, diz. Depois do aviso da demissão, os trabalhadores receberam uma carta convocando-os a comparecer na empresa na semana que vem, para dar prosseguimento aos trâmites legais.

Através de assessoria de relações institucionais, a Bunge informou que os funcionários demitidos receberão verbas indenizatórias que serão pagas conforme determina a legislação. O plano de saúde será oferecido por mais três meses para funcionários e familiares (filhos até 18 anos). A empresa também promete aos ex-funcionários acompanhamento especializado para conseguirem um novo emprego no município ou região.

Os demais funcionários que não foram demitidos podem optar por trabalhar em outras unidades da Bunge espalhadas por 12 Estados, entre eles Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Piauí.

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Lamento

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, lamenta a demissão de mais de 160 trabalhadores pela Bunge de Bauru, mas ele pondera que é uma decisão de mercado. “É um impacto negativo, lamentamos que isso tenha de ocorrer, mas é uma decisão típica de empresa de grande porte, tomada com base racional em cima de lógica de mercado”, comenta.

Sampaio acredita que a recolocação dos funcionários no mercado de trabalho não será demorada. O setor da indústria de alimentação, afirma ele, destaca-se hoje como o segmento que mais se desenvolve de forma estável. O secretário observa ainda que, quando a fábrica de massas Frescarini também deixou Bauru, a absorção dos trabalhadores foi rápida.

“Quando a Frescarini fechou, praticamente todos os funcionários foram recolocados dentro do mercado de trabalho de Bauru. É uma mão-de-obra experiente, muito qualificada e disputada”, salienta.