11 de julho de 2026
Geral

Criança precisa estar preparada para ser alfabetizada, diz fonoaudióloga

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

O êxito na alfabetização depende do desenvolvimento de todas as habilidades que antecedem a fase de aprendizagem da leitura e da escrita. Para isto é preciso que até os 6 anos de idade a criança seja estimulada através do brincar. A fonoaudióloga Mayze Sartori dos Santos alerta para o fato de que a criança não pode chegar na 1.ª série sem ter brincado o suficiente para desenvolver a aquisição da fala, a visão, a motrocidade, a memória, a audição.

Segundo ela, todas estas habilidades são desenvolvidas nas crianças que desde cedo estão nas escolas particulares, nas quais o brincar é dirigido para a aprendizagem. “Elas brincam muito, mas um brincar dirigido para a aprendizagem”, afirma. Mayze Sartori acredita que em Bauru, o sistema de educação infantil também cumpre esta função.

No entanto, ela salienta que para receber crianças de 6 anos no ensino fundamental das escolas públicas, precisa haver uma preparação dos professores e contratação de psicólogos e fonoaudiólogos para acompanhamento dos alunos. “Estes profissionais estão capacitados para reconhecer as especificidades do aluno nesta fase”.

Mayze Sartori afirma que para atender os alunos de 6 anos no ensino fundamental os professores precisam conhecer com propriedade as etapas de desenvolvimento da criança. O professor precisa saber que aos 6 anos a criança ainda está descobrindo a lateridade, as noções de direita e esquerda. Só aos 7 anos esta habilidade estará totalmente internalizada para este aluno. A criança precisa desta noção para ser alfabetizada, para compreender que o processo de leitura e de escrita ocorre da direita para esquerda.

Aos 6 anos, a criança também está começando a se interessar pelos jogos de raciocínio e de competição, atividades que o professor precisa explorar neste aluno. Outra questão importante é quanto ao tempo que a criança permanece em sala de aula, em cada atividade. Aos 6 anos a criança é mais ativa e tem menos poder de concentração do que a de 7. “Ela fala mais, anda pela sala para ver o que o coleguinha está fazendo”, explica. “O tempo dentro da sala de aula deve ser menor”.

Outra exigência desta faixa etária é atenção mais individualizada do professor, o que requer um número menor de alunos em sala de aula. Hoje as salas de aula têm 35 alunos. Projeto de lei de autoria do professor e deputado estadual Roberto Felício (PT), proposto por intermédio da Apeosp e aprovado por unanimidade na Assembléia Legislativa, em 13 de dezembro último, estabelece um limite de 25 alunos para 1ª a 4ª séries.