07 de julho de 2026
Ser

De coração aberto

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Elas são bonitas, inteligentes, divertidas, independentes, realizadas profissionalmente e solteiras. Colhendo os frutos da revolução feminista, o perfil caracteriza uma geração que ainda não encontrou seu par.

Por opção ou não, o fato é que esse grupo - formado por mulheres na faixa etária dos 30 anos - cresce na mesma proporção dos produtos destinados a elas, como filmes e livros.

Nos últimos anos, uma avalanche de obras do gênero - também chamadas de literatura cor-de-rosa ou para mulherzinhas - invadiu as prateleiras. Desde romances, contos, livros acadêmicos e até de auto-ajuda, eles exploram os sentimentos e comportamentos da mulher contemporânea.

Um dos mais famosos, “O Diário de Bridget Jones”, da inglesa Helen Fielding, aborda de forma humorada o drama de ficar sozinha no sábado à noite ou se envolver repetidamente com homens errados. Lançada em 1998, a obra, que é tema de dois filmes protagonizados pela atriz americana Renée Zellweger, também está entre as mais vendidas no Exterior e no Brasil.

O livro “Sex and City”, de Candace Bushnell, também é destaque da linha cor-de-rosa e inspirou o roteiro da famosa série que leva o mesmo nome. Na telinha, quatro belas atrizes americanas retratam o dia-a-dia de mulheres solteiras, independentes e bem-sucedidas, que vivem encontros e desencontros com o sexo oposto.

No Brasil, cotidiano semelhante é abordado no seriado “Avassaladoras”, lançado em janeiro e exibido na Record. Isso só para citar alguns exemplos da literatura e do cinema “cor-de-rosa”, que se transformaram em um dos principais ícones do mercado cultural.

Mas apesar do glamour apresentado na ficção, na vida real, enfrentar uma sucessão de relacionamentos sem se fixar em nenhum é comum para centenas de mulheres. Isso não significa que elas não desejam encontrar um companheiro.

Pelo contrário, para muitas casar e ter filhos ocupa lugar de destaque em seus planos. Entre elas, a auxiliar de escritório Ariane Regina Cequini, 29 anos.

Solteira há alguns anos, ela conta que namorar e constituir família é um dos seus objetivos. “Quero ter minha casa e filhos”, diz Cequini. “Estou de coração aberto. Se aparecer uma pessoa legal e por quem eu me interesse, tudo bem”, pontua.

“Mas ainda não encontrei o parceiro ideal”, revela Cequini. Sua “queixa” é compartilhada por diversas mulheres contemporâneas, caso da estudante Thais Vieira, 27 anos. “Adoro sair com minhas amigas, mas isso não significa que eu não queira namorar. Estou esperando aparecer uma pessoa que me complete e seja especial.”.

A bióloga Daniela Fossato, 31 anos, e a advogada Ruth Romano Previdello, 35 anos, que já viveram relacionamentos sérios, concordam. “Estou solteira por opção. Não vou sair namorando qualquer um. Somente uma pessoa realmente interessante”, diz Fossato.

“Em primeiro lugar, é preciso ter afinidade. E essa afinidade pode ser encontrada no trabalho, numa balada ou caminhando na rua. Tenho a intenção de namorar, mas tudo tem que acontecer naturalmente”, afirma Previdello.