10 de julho de 2026
Polícia

Pais cobram esclarecimento sobre circunstância de morte de criança

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O casal José Márcio Pereira e Aline Zambonato Pereira protestou pela morte da filha Isabela Zambonato, de 3 meses de idade, ocorrida ontem à tarde após atendimento no Pronto-Socorro Infantil de Bauru. Segundo os pais, o relatório médico indica bronquiolite aguda como a causa da morte. Mas ele reclamam do atendimento dado ao bebê desde a tarde de sexta-feira.

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência do PS, Aigiro Kamada, descarta a possibilidade de falha operacional ou médica no atendimento dado ao bebê ontem e argumentou que a avaliação do quadro clínico inicial depende do exame de documentos, avaliação do diagnóstico e dos cuidados com a paciente após retornar para casa, na noite de sexta-feira.

José Márcio e Aline Zambonato questionam a opção pela não-internação da filha na tarde de sexta-feira. “Ela começou a ter dificuldades em mamar no peito e foi levada por nós para o Pronto-Socorro às 14h. O médico atendeu, pediu exame de raio-X e receitou inalação em casa e os remédios Novamox e Celestamine. Voltamos para casa e demos os medicamentos e iniciamos inalação”, descrevem.

Conforme a mãe, o bebê melhorou com a inalação e os medicamentos, mas no domingo demonstrou maiores dificuldades em respirar. “Com ela passando mal, nós fizemos inalação duas vezes, de 30 em 30 minutos, conforme orientou o médico. Ele disse que ela deveria retornar na quarta-feira, mas a crise ficou crônica e voltamos ao PS. A doutora que atendeu fez mais uma inalação e a enviou para a emergência, com soro e balão de oxigênio. Ela disse que o caso era de bronquiolite e não bronquite como tinha sido tratado na sexta”, aponta a mãe Aline.

Segundo os pais, a médica que fez o atendimento ontem teria dito que o caso era de internação desde a sexta-feira, o que não ocorreu. O PS pediu internação do bebê ontem e uma unidade do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foi chamada para o transporte da paciente.

“Mas ela foi tirada da urgência do PS sem balão de oxigênio e o aparelho da ambulância não acionou quando a médica alertou para o perigo. A médica tentou reanimar, mas já era tarde. Minha filha morreu”, protesta a mãe.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou a causa da morte como bronco pneumonia bilateral. O diretor do PS, Aigiro Kamada, descarta que a morte tenha sido causada pela remoção do bebê do PS para a ambulância. “O problema não está relacionado com as ações tomadas nesta etapa. Quando a criança chegou ao PS, a auxiliar de enfermagem percebeu a gravidade e chamou uma médica, que indicou uma inalação e logo entubou a criança. Como o bebê estava mal, foi pedida vaga na UTI Infantil do Hospital Estadual. Quando a criança estava sendo removida para a ambulância, o oxigênio não chegou a ela por questões de minutos por falha no equipamento. E por isso rapidamente a criança foi levada de volta ao PS. Ela estava com muita secreção. No espaço de uma hora ela morreu", relata Aigiro.

Ele afirma, no entanto, que o problema no balão de oxigênio, como foi por instantes, não foi o que levou à morte. Mas ressalta que será preciso avaliar as condições em que a menina foi atendida na sexta-feira, qual o diagnóstico, o que foi recomendado e os cuidados tomados com ela quando voltou para casa.

Ele disse que vai levantar, hoje, as informações relativas ao atendimento inicial do bebê para avaliar se procede a reclamação de que o caso era de internação desde sexta-feira.

O bebê foi velado ontem na funerária do Cidade de Bauru e tem sepultamento previsto para hoje, às 9h, no Cemitério da Saudade.