09 de julho de 2026
Polícia

Golpes por telefone se multiplicam

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O telefone toca. Ao atender, muito cuidado. Não forneça informações sobre você, sua família e números de documentos nem acredite em prêmios e vantagens que sejam oferecidos a não ser que tenha certeza de que a pessoa com quem está falando é idônea porque pode ser golpe. É passando-se por funcionários de operadoras de telefonia, de cartão de crédito, de instituições bancárias, de empresas reconhecidas no mercado e até do Corpo de Bombeiros que muitos estelionatários conseguem tirar dinheiro de quem está do outro lado da linha.

Nas suas mais variadas formas (leia abaixo), os golpes aplicados por telefone fazem vítimas com freqüência. Em menos de um mês respondendo pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, o delegado Silberto Martins Sevilha conta que já registrou 12 boletins de ocorrência por golpes ou tentativa de golpe deste gênero. Uma nutricionista, cujo nome não foi divulgado pela polícia, perdeu R$ 200,00 ao acreditar numa pessoa que disse que ela havia sido sorteada numa promoção da operadora de celular e ganharia uma TV de 29 polegadas.

O golpista, passando-se por funcionário da operadora, disse que para ela receber o prêmio precisaria comprar R$ 100,00 em cartões de recarga de celular e passar os códigos a ele. Ela acreditou e atendeu o pedido, sem saber que estava transferindo os créditos para o golpista, que ainda prosseguiu. Ele disse que ela havia comprado outro cartão premiado e que receberia uma casa. Mas para validar a suposta premiação, pediu que comprasse mais R$ 100,00 em cartões de recarga e novamente informasse os códigos.

Ela só percebeu que se tratava de golpe quando o interlocutor entrou em contradição quanto ao valor da casa. Primeiramente, ele disse que o imóvel valia R$ 80 mil e depois R$ 120 mil. A nutricionista desligou o telefone, não recebeu prêmio algum e perdeu R$ 200,00. Na semana passada, uma advogada que está defendendo um morador de Presidente Prudente pediu informações à DIG de Bauru referente a um destes golpes.

Com dados de documentos da vítima, o estelionatário abriu conta bancária e fez compras no comércio em várias cidades, inclusive em Bauru. Agora, a dívida está recaindo sobre o morador de Presidente Prudente. A suspeita é que o golpista tenha conseguido números de RG e CPF dele através de uma ligação telefônica.

O delegado titular da DIG suspeita até que haja sistema de venda ilegal de listagem de números de telefone. “Há casos de pessoas que não têm nome na lista e, mesmo assim, recebem ligações de golpistas”, frisa. Porém, ele ressalta que a maioria dos golpes só ocorre porque a vítima, esperando obter vantagens, acaba fornecendo informações confidenciais que jamais poderiam ser passadas. “Nosso alerta à população é que não forneça informações pessoais, números de documentos ou faça o que o interlocutor esteja pedindo. Se receber uma ligação informando sobre uma premiação, oferecendo um serviço ou produto com vantagem, vá pessoalmente à empresa para certificar-se que de fato ela existe e com quem está falando”, orienta.

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Modalidades mais comuns

• Golpe dos documentos 1 – O estelionatário, afirmando ser funcionário da operadora de telefonia, liga para casa da vítima e pede para que ela confirme alguns dados pessoais alegando recadastramento. Sem perceber, a vítima passa número de RG, CPF e outros documentos. Posteriormente, descobre contas em seu nome referentes a compras feitas com cheques obtidos de contas abertas com documentos falsificados mas usando seus dados.

• Golpe dos documentos 2 – O estelionatário, afirmando ser funcionário de uma operadora de cartão de crédito, liga para casa da vítima e oferece um cartão com vantagens, como isenção de anuidade. E, para fazer o cadastro, solicita número de RG, CPF e outros documentos. Posteriormente, a vítima descobre contas em seu nome de compras feitas com cheques obtidos de contas abertas com documentos falsificados mas usando seus dados.

• Golpe do prêmio – A vítima recebe uma ligação informando que foi sorteada. Mas para validar o prêmio, que varia de TV a casa, o interlocutor pede para comprar cartões de recarga de telefone celular e informar os códigos.

• Golpe do seqüestro – A vítima que recebe uma ligação de uma pessoa afirma ter seqüestrado um parente seu. Para liberá-lo, pede que a vítima compre cartões de recarga de telefone celular e lhe forneça os códigos ou deposite dinheiro em uma conta bancária

• Golpe do falso bombeiro – O estelionatário, passando-se por bombeiro, liga para a vítima e diz que um parente dela sofreu um acidente e pede dados e informações referentes ao suposto acidentado. O telefone é desligado repentinamente, mas toca novamente minutos depois. A mesma pessoa, de posse das informações, explica que na verdade não houve acidente algum, mas que o parente do interlocutor foi seqüestrado e pede resgate

• Golpe da transferência de linha – O estelionatário, afirmando ser funcionário da operadora de telefonia, liga para casa da vítima e pede para que ela digite alguns números argumentando que precisa reprogramar o aparelho. Depois disso, a vítima pára de receber ligações. Mais tarde descobre que, ao digitar os números solicitados pelo interlocutor, transferiu todas as ligações para outra linha que passou a funcionar como a sua. Ela pagará a conta de ligações que não fez.