10 de julho de 2026
Política

Ex-diretora do CSU vai levar extratos bancários à polícia

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A ex-diretora do Centro Social Urbano (CSU) do Jardim Bela Vista, Mariá Longhi, vai encaminhar à Polícia Civil os extratos bancários de sua conta- corrente pessoal para antecipar a análise dos depósitos e saques realizados entre 2000 e 2002, relativos à acusação de recebimento de valores indevidos obtidos de fraude em restituição de contas junto ao Departamento de Água e Esgoto (DAE).

A informação é do advogado de Longhi, Wilson Brasil. “A Mariá foi pressionada e ameaçada para receber as restituições e entregava 70% dos valores para o Macalé, ficando com 30% que eram investidos em benfeitorias no próprio CSU. Vou pessoalmente levar ao delegado os extratos bancários e já pedi à Mariá que providencie os documentos junto ao Banco”, afirma Brasil.

Macalé é o ex-diretor de Serviços do DAE, Nivaldo Nunes Caetano, acusado por Mariá de ficar com 70% do valor obtido com as restituições fraudulentas. Em depoimento ao delegado do 3º Distrito Policial, Luís Carlos Amado, Macalé nega que tenha recebido os valores.

A fraude em restituição de contas do CSU foi revelada pelo JC em janeiro passado, a partir de procedimento aberto pela Promotoria Criminal para apurar o caso desde o segundo semestre de 2005. Mariá Longhi confirmou à reportagem que recebia os valores, mas disse, conforme depoimento, que utilizava o dinheiro para benfeitorias na sede do CSU.

O caso está sendo apurado pela Polícia Civil como eventual crime de peculato, que se caracteriza pela apropriação por funcionário público de valores ou bens, em função do cargo, para si ou em favor de terceiros.

“Aluguel”

O advogado Wilson Brasil também comenta que em relação à cobrança indevida de aluguel de empresários que oferecem atividades esportivas no CSU, utilizando as instalações do órgão público, ele próprio orientou Mariá a não tratar do assunto no inquérito em andamento no 3º DP em razão do fato não estar sob apuração no atual procedimento.

“Eu conversei com a Mariá e ela me relatou que o Macalé é quem coordenou e levantou as parcerias com empresários que através de parceria se instalaram no CSU para oferecer oportunidade de atividades físicas para a comunidade, como ocorre até hoje. Em alguns recibos consta que o valor pago como aluguel da piscina e da musculação também era dividido com o Macalé”, afirma Brasil.

Segundo o advogado, Mariá não tinha condições de realizar os contatos porque não morava em Bauru na época, no início do ano 2000. “O Macalé era quem conhecia todo mundo e fez os contatos para a parceria. Depois a Mariá, como diretora do CSU, manteve as parcerias porque elas resultaram em boa prestação de serviços para a comunidade. A própria empresária diz que o CSU estava em condições precárias e a Mariá usava a parte do valor que ficava com ela para a manutenção do local e não para pagar conta de água e luz. A outra parte ia para o Macalé, me contou a Mariá”, revela o advogado.

Wilson Brasil também ratificou que, conforme declarou ao JC a professora de educação física Rosa Inez Baraviera, as despesas com limpeza do CSU eram pagas diretamente pelos parceiros. Quanto à alegação de que o valor recebido como “aluguel” era investido na manutenção das instalações, Brasil antecipa que vai apresentar uma lista de cerca de 10 testemunhas confirmando essa tese.

O “aluguel” pela cessão de espaços do órgão público também seria cobrado das demais atividades mantidas no CSU, como judô, karatê, balé, jiu-jitsu, computação, inglês e outros. O atual diretor do CSU, Paulo Roberto Silveira, afirma que, desde o mês passado, quando assumiu o cargo no lugar de Mariá, não houve mais cobrança pela cessão dos espaços.

Ele conta que o Estado deu prazo até o dia 28 deste mês para a desocupação de todos os espaços do órgão por particulares. Silveira complementa que não há na contabilidade de contas do CSU documento comprovando a entrada de receita, mesmo de aluguéis.