08 de julho de 2026
Politicando

Para Quiabá


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Nos primeiros dias do pós-golpe militar de 1º de Abril de 1964, lideranças operárias e estudantis eram presas de forma indiscriminada na cidade de Bauru. Milton Dota e Saad Zogheib Sobrinho, dirigentes da Federação Bauruense Estudantina e militantes da Juventude Estudantil Católica – JEC - e Juventude Universitária Católica – JUC –, foram avisados de que estavam na relação da FAC – Frente Anticomunista – com a finalidade de serem presos. No caso deles, a notícia tinha procedência e não tinha no caso de um estudante de direito que ficou foragido durante vários dias pelo fato de ter comprado uma lambreta vermelha do líder estudantil José Ivan Gibin de Mattos. Mas isto é para uma outra história.

Miltão e Saad resolveram buscar refúgio na propriedade rural do pai do primeiro, lá no Clavinote, no município de Avaí. Montaram uma barraca no mato e de quando em quando vinham para a sede da propriedade buscar mantimentos.

Como estavam escondidos próximos a uma grande plantação de quiabos, toda vez que vinham na casa de dona Jacira, irmã de Milton, ao saírem Saad costumava dizer: - Ô... Jacira, se a polícia aparecer nos procurando diga que fomos para “quiabá”!

Antonio Pedroso Júnior