09 de julho de 2026
Internacional

Israel não repassa US$ 55 mi à ANP

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Israel - O governo de Israel classificou ontem o governo palestino como “autoridade terrorista” e anunciou a suspensão da transferência de US$ 55 milhões mensais que coletava em tributos para a Autoridade Nacional Palestina (ANP). A medida vem como resposta à posse do novo Parlamento palestino, dominado pelo grupo extremista Hamas, que resiste aos apelos do presidente palestino, Mahmoud Abbas, e da comunidade internacional para reconhecer Israel e renunciar ao terrorismo.

A sanção deverá estrangular a frágil economia palestina, mas é bem mais leve do que o pacote de medidas inicialmente sugerido pelos especialistas em segurança israelenses, que incluía a suspensão de todo o comércio entre Israel e os palestinos e a proibição da entrada de trabalhadores palestinos em território israelense.

Também hoje, tropas israelenses mataram quatro palestinos em dois incidentes separados. Mahmoud Abbas deve reunir-se hoje com Ismail Haniyeh, o membro do Hamas indicado para servir como premiê, em Gaza e pedir-lhe oficialmente que tente formar um governo, para o que terá prazo de cinco semanas.

Haniyeh disse que o Hamas começaria amanhã conversações com possíveis parceiros numa coalizão. O grupo islâmico, cuja carta de fundação pede a destruição de Israel, realizou dezenas de atentados contra civis israelenses. Chegou ao governo depois de derrotar nas urnas o partido Fatah, de Abbas.

Nas eleições de 25 de janeiro, o Hamas conquistou 74 das 132 cadeiras do Parlamento. “A ANP está na prática tornando-se uma autoridade terrorista”, afirmou o premiê em exercício de Israel, Ehud Olmert, pouco antes da reunião de gabinete que decidiu pela sanção aos palestinos. “Israel não manterá contatos com um governo do qual o Hamas faça parte”, acrescentou.

A ANP depende dos US$ 55 milhões em impostos para pagar os salários dos cerca de 140 mil funcionários públicos. Um encontro da Liga Árabe marcado para o mês que vem deverá discutir alternativas para ajudar os palestinos. A Liga, contudo, costuma fazer muitas promessas que jamais são cumpridas.

Em tese, os países árabes já estão comprometidos em enviar para os palestinos US$ 600 milhões anuais. A ajuda que de fato se materializa não passa de 1/6 desse valor. Apesar da retórica dura de Olmert, que deverá disputar eleições em março, Israel não está utilizando todas as suas armas econômicas contra o Hamas.

O bloqueio da entrada de palestinos ou do comércio teria conseqüências ainda mais devastadoras sobre a economia palestina. A chanceler em exercício de Israel, Tzipi Livni, disse que o governo não queria piorar a vida dos palestinos, o que criaria animosidade internacional contra Israel. O gabinete também decidiu pedir a outros países que suspendam transferências financeiras aos palestinos, com exceção da ajuda humanitária.

O Hamas é listado como organização terrorista pelos EUA e pela União Européia. Vários países ameaçam suspender a ajuda caso o Hamas não escolha o caminho da moderação. Abbas criticou a reação à ascensão do Hamas ao poder: “Nós passamos por eleições livres que o mundo inteiro reconheceu como justas. É a escolha do povo”. O presidente acrescentou que os cortes em ajuda já se fazem sentir. “Estamos realmente numa crise financeira”.