09 de julho de 2026
Polícia

Mãe pedirá indenização ao Estado

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Ela não viu com os próprios olhos, mas as circunstâncias da morte do filho são relembradas diariamente por Sônia Bueno, 39 anos. A mãe, com saúde frágil e sobrevivendo da doação de mantimentos, espera, no mínimo, que o Estado seja responsabilizado pela morte do filho.

“Eu quero Justiça. Ele estava sob a responsabilidade do Estado, que tem que reparar. Jonatan morava comigo e me ajudava muito. Ele trabalhava numa auto-elétrica e o patrão pagava, mesmo quando ele estava lá”, diz.

Sem os cerca de R$ 300,00 do salário do rapaz, Sônia recolhe material reciclável pelas ruas, quando consegue levantar-se da cama. “Ele era bom, tranqüilo, carinhoso, nunca me deu trabalho. Era difícil para estudar porque tinha problema na cabeça. Estudava em classe especial”, conta. O rapaz teria sido internado na Febem após um assalto.

Antes de ficar por três meses na instituição em Bauru, já havia sido internado. Da primeira vez, cujo período de internação chegou a nove meses, foi para São Paulo. Mas outro adolescente que estava na Febem na ocasião da morte de Jonatan, também o classifica como calmo. Jonatan tornou-se alvo dos outros internos porque, num domingo, teria olhado para a visitante de outro jovem.

Já na visita que antecedeu a morte dele, o “clima” na unidade não estava bom, conta Sônia. Jonatan lhe contou que teria ganho um estilete de um funcionário e que estava ameaçado por outro interno. Ela garante ter transmitido a informação, no dia seguinte à morte, ao então diretor da Febem.

“Era muito cedo. Eu estava dormindo e acordei com o barulho. Vi sangue no corredor. Depois, ele no chão. Chamei um funcionário (para prestar socorro). Fiquei sabendo que eles (alguns internos) entraram (no quarto) e pegaram os outros (três, também feridos). O Jonatan estava na ducha. Saiu para ver o que estava acontecendo e pegaram ele também. Ninguém separou. Saía tanto sangue da boca e do nariz que ele não conseguia falar”, conta um ex-interno.

Parte dos detalhes, como o fato dos quartos da Unidade de Internação da Febem estarem abertos durante a semana, teria sido relatada pela mãe a uma comissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Mas na época, como ela tinha dois sobrinhos internados na instituição, teria sido orientada a calar-se temporariamente para protegê-los.

Os meninos chegaram a ser ameaçados. O ex-interno conta que usaram o sangue de Jonatan para pichar com ameaças aos dois a parede do quarto deles. Sônia ajustou advogado para recorrer contra o Estado.