09 de julho de 2026
Política

Caso CSU vai gerar novo inquérito

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A cobrança de uma taxa mensal para a cessão de instalações do Centro Social Urbano (CSU) do Jardim Bela Vista a terceiros deve gerar a abertura de novo inquérito policial para investigar eventual prática de crime. O promotor criminal João Henrique Ferreira comentou ontem que a descoberta do fato, revelado pelo JC no último sábado, requer investigação específica e em separado do procedimento em andamento em que está sendo investigada a fraude em restituições de contas de água do CSU junto ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) entre os anos 2000 e 2002.

A reportagem apurou que a ex-diretora do órgão estadual Mariá Longhi cobrava, como “aluguel”, valores mensais de profissionais que oferecem atividades esportivas e cursos para a comunidade. A professora de educação física Rosa Inez Baraviera passou a pagar R$ 800,00 para a ex-diretora do órgão público pela cessão das instalações da piscina e de salão de musculação. Ela conta com recibos assinados pela própria Longhi comprovando os pagamentos. A mesma cobrança passou a ser exigida de outras modalidades a partir do ano 2000, quando Mariá começou a comandar o CSU.

O advogado da ex-diretora, Wilson Brasil, reiterou, no final de semana, que os valores pagos pelos profissionais que exerciam atividades físicas no local eram utilizados por Mariá para a manutenção e conservação das instalações. Contudo, o atual diretor do CSU, Paulo Roberto Silveira, disse desconhecer a contabilização dos valores recebidos como “aluguel” ao longo dos últimos anos. A Secretaria de Juventude, Lazer e Esportes do Estado ainda não anunciou a instalação de sindicância para apurar o fato, determinando apenas a desocupação dos espaços até o dia 28 de fevereiro próximo.

O promotor João Henrique Ferreira disse que, em tese, a apuração vai avaliar crime de concussão, que se caracteriza por “exigir para si ou para outrem (terceiros), direta ou indiretamente, em razão da função, vantagem indevida”.

O delegado do 3.º Distrito Policial (DP), Luís Carlos Amado, comentou, ontem à tarde, que vai avaliar o conteúdo da reportagem que revelou a cobrança de “aluguel” no CSU para tomar providências. Em princípio, Amado também comentou que o fato é específico e relacionado a outra conduta da ex-diretora no comando do órgão estadual, o que pediria investigação em separado. “A fraude na restituição das contas conta com personagens envolvidos diferentes e forma um fato bem distinto do outro agora levantado. Vou analisar o que trouxe a reportagem”, conta o delegado.

Já na esfera cível, o promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, informa que está aguardando o envio de documentos pelo DAE para instaurar procedimento ou entrar direto com ação civil pública por improbidade administrativa.