Depois de 15 horas rebelados, os presos do setor de inclusão da Penitenciária 1 de Bauru libertaram os dois reféns e conseguiram aquilo que pretendiam desde o início do movimento, no domingo à noite: transferência. Oito detentos foram transferidos – o JC apurou que eles foram distribuídos entre o Centro de Detenção de Santo André, Penitenciária 2 de Bauru, que fica ao lado da P1, e penitenciárias de Pirajuí e Hortolândia. A P1, que não tinha registro de rebelião em sua história, viveu a primeira em um dia em que o movimento era repetido nas unidades de Ribeirão Preto, São Paulo, Paraguaçu Paulista e Lucélia.
Com capacidade para 750 presos, a Penitenciária Dr. Alberto Brocchieri, a P1 de Bauru, estava com 1.045 detentos. Mas a superlotação não teria sido o motivo do motim que, em pouco tempo, se transformou em rebelião com a adesão dos demais presos da inclusão. Apesar das poucas informações sobre a rebelião de Bauru, sabe-se que os dois agentes feitos reféns conseguiram sair fisicamente ilesos.
Porém, um preso teria sido espancado pelos colegas para chamar a atenção dos agentes, ainda no início do movimento. A informação não foi confirmada pela assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária e nem pelo coordenador das Unidades Prisionais da Região Noroeste, que inclui Bauru, Antônio Paulo Veronezi.
A versão oficial é que por volta das 21h de domingo sete presos do setor de inclusão, destinado para os rescém-chegados, começaram o motim, supostamente para conseguir transferência. Os demais presos do mesmo setor, num total de 22, teriam aderido ao movimento que só terminou por volta do meio-dia de ontem quando os dois agentes pegos como reféns, Adair Martins Pereira e Rhaeder Araújo Bonetti, foram libertados. Oito presos foram transferidos.
O movimento dos presos teve fim após a chegada à P1 do juiz das Execuções Penais Davi Márcio Prado Silva e do promotor de Justiça Luiz Carlos Gonçalves Filho, ambos corregedores que atendiam a reivindicação de transferência dos presos. A outra reivindicação, da presença da imprensa na P1, não foi atendida.
Como Veronezi nem a direção da P1 não concederam entrevista, nos bastidores ‘brotaram’ várias versões sobre a rebelião. Uma delas é que o movimento teria sido provocado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) ou Terceiro Comando, facções criminosas que querem manter o poder no Interior dos presídios. Mesmo sem ter sido confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária, a informação faz sentido uma vez que outros movimentos de presos ocorreram no mesmo dia no Estado de São Paulo.
Outras duas histórias não confirmadas pela diretoria do presídio atraíram a atenção da imprensa. Uma dava conta que o movimento nasceu de uma fuga frustrada e outra, que os presos espancaram um colega do setor de inclusão para atrair os agentes penitenciários e fazê-los reféns. Extra-oficialmente, a informação é que este preso teria saído ferido e sido atendido no próprio presídio.
Ele teria pedido socorro e atraído os dois agentes penitenciários feitos reféns. Cinco outros agentes, que também foram atender o tumulto, conseguiram fugir ao perceberem que o movimento não passava de uma cilada.
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Transferências
Para o diretor de assuntos jurídicos do Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindicop), que representa os agentes penitenciários, Wellington Jorge Braga de Oliveira, o movimento dos presos foi causado pela morosidade nas transferências. “Esses presos vieram de Guareí, oriundos da última rebelião e ficaram na inclusão aguardando remoção para outras unidades”, comenta.
Oliveira frisa que a P1 de Bauru é considerada uma unidade prisional neutra porque não teria membros de facção criminosa organizados. “Esses presos não podem ficar em unidades prisionais que são neutras em relação às facções criminosas. Presume-se que eles sejam do PCC ou do Terceiro Comando”, disse Oliveira.
Para o sindicalista, embora os agentes não tenham sofrido ferimentos físicos, os danos são irreparáveis. “É muita tensão psicológica para o agente. É um terror passar por essa situação. Os presos estão, provavelmente, portando estiletes”, disse ele ainda durante o movimento.
O diretor estranhou a posição do secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa. “Ele não permitiu a entrada da imprensa, nem na área externa da penitenciária, mesmo após o pedido dos presos. Proibiu ainda que seus subordinados concedessem entrevistas”, criticou.