10 de julho de 2026
Regional

Casa noturna sem alvará tira sossego de moradores em Jaú

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Uma casa noturna instalada em um prédio da rua Ângelo Busnardo, número 9, bairro Maria Luiza, promoveu um evento musical contrariando a determinação da Justiça, que negou liminar, e desconsiderando notificação da Prefeitura de Jaú (47 quilômetros de Bauru). A boate abriu na última sexta-feira para a surpresa dos moradores que haviam entregue abaixo-assinado na prefeitura, durante a semana, para evitar a realização de um evento divulgado em cartazes afixados nas coberturas dos pontos de ônibus e postes da cidade.

Um grupo de moradores compareceu ao Plantão Policial por volta das1h da manhã de sábado para registrar um Boletim de Ocorrência em que se queixaram de perturbação da tranqüilidade.

No sábado, não houve movimentação no lugar. O secretário Geral da prefeitura, Antonio Aparecido Serra, explica que a empresa não possui projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros, atestando a segurança das instalações – parte elétrica, saídas de emergência e outras vistorias. Outro problema apontado por Serra foi a falta de adaptação acústica do local, onde funcionou uma fábrica de calçados, o pedido de alvará de funcionamento à prefeitura e a vistoria da Vigilância Sanitária.

Revolta de moradores

O que revoltou os moradores é que nem com a presença da polícia a casa foi impedida de realizar o evento, que não deixou que moradores dormissem de sexta-feira para sábado. Alguns moradores contam que acompanharam o barulho na rua até as 5h30 do sábado.

O comerciante Sérgio Valtier Aroni, vizinho 44 anos, reside no bairro há 20 anos, reclamou do barulho no barracão onde se instalou a casa de shows. Ele questiona o fato de a polícia não ter impedido a abertura da casa. “O ponto polêmico que ficou é que ninguém tinha poder de chegar lá e exigir documento do responsável. Para você fazer um baile, tem que ter alvará. Se não tem, a polícia tem que exercer o poder de polícia”, avalia.

O comandante interino do 27.ª Batalhão de Polícia Militar, major Airton Troíjo, explica que os PMs teriam que, obrigatoriamente, estar acompanhados de um fiscal da prefeitura.

Serra explica que, justamente neste final de semana, ainda era período de férias do fiscal o que inviabilizou uma ação. O secretário Geral argumenta ainda que manteve contatos com o empresário e que teria havido a conversa para que não houvesse evento sem a regularização do imóvel para funcionar com espaço para shows.

O engenheiro Laerte Letízio disse que o som que ecoava do galpão era absurdo. “O BO que nós temos registra que foi dito que tinha uma liminar para a PM. O advogado deles mentiu para a PM e cabe uma representação contra ele na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Se pegasse fogo na boate não tem saída de emergência. Pegaram um barracão de uma fábrica e colocaram lá um monte de caixas de som e vamos fazer pauleira”, reclama.

Serra ressalta que o empresário responsável pela promoção do evento incorreu em crime de desobediência. Ele comenta que os moradores foram orientados a apresentar o BO ao juiz da 1.ª Vara Cível, o o mesmo que negou a liminar para a abertura da casa.

Ainda no sábado, o grupo de moradores manteve um encontro com o comando do 27.º Batalhão de Polícia Militar para discutir vários pontos de segurança no bairro. O fato desencadeou uma mobilização entre os moradores para retomar a Associação de Moradores dos bairros Maria Luiza 1, 2 e 3 e Jardim Pinhal 1 e 2. O próximo encontro, com a presença de representantes da PM, prefeitura e moradores deve acontecer dia 4 de março.

O major Troíjo esclarece que o policiamento nos arredores da avenida Ana Claudina, principal ponto de fluxo de carros e pessoas, está sendo ampliado com o policiamento comunitário, durante o dia, e as equipes da Força Tática, à noite. A reportagem tentou contato, ontem, com os responsáveis pela realização do evento, mas ninguém atendeu aos telefonemas.