Pirajuí – O estado de saúde do vereador Edson Carlos Pfeifer (PFL), 47 anos, é considerado grave após as complicações causadas pela leishmaniose viceral, contraída em Pirajuí (58 quilômetros a noroeste de Bauru). No domingo passado (dia 12), Pfeifer foi removido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia de Marília, onde estava internado há cerca de 15 dias.
Conforme a mãe do vereador, Neves Pfeifer, 70 anos, os médicos foram obrigados a fazer diálise, anteontem, após constatarem o mau funcionamento de um rim. “O estado dele é gravíssimo e está debilitado. Os medicamentos vão afetando outros órgãos. Hoje (ontem) tiraram quatro litros de água dele. Agora tem que pedir a Deus para não afetar outros órgãos”, relata a mãe.
Segundo o prefeito Jardel de Araújo (PV), no segundo semestre do ano passado foi constatado um surto de leishmaniose em cachorros, no Centro da cidade, justamente nas imediações da avenida Rui Barbosa Lima, próximo da casa onde Pfeifer reside. Ele atua na zona rural como agrônomo da Casa da Agricultura de Pirajuí, porém dona Neves suspeita que o filho tenha sido contaminado na cidade.
“No meu modo de pensar foi na cidade, apesar dele trabalhar muito na zona rural.
Mas a probabilidade (de contaminação na zona urbana) é grande porque infelizmente a cidade está cheia de cachorros com queda de pêlo, unhas cumpridas e lixo que não é recolhido”, avalia. Araújo explica que nos meses de agosto e setembro do ano passado foi desencadeada uma campanha de conscientização da população com mensagens impressas nas contas de água e visitas do pessoal do Tiro de Guerra.
Segundo o prefeito, a equipe da Vigilância Sanitária do município intensificou a atuação para identificar e tirar de circulação os animais suspeitos de contaminação. Araújo não descarta a possibilidade da contaminação ter ocorrido na zona urbana do município. A prefeitura retoma o envio de orientações nas contas de água e, nos próximos dias, o Córrego Douradinho do Leste, que corta a cidade, começa a ser limpo – inclusive as margens – dependendo da chegada de uma máquina.
Diagnóstico
A leishmaniose atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provoca um processo infeccioso, além de anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente.
A mãe do vereador Edson Carlos Pfeifer conta que a doença começou a se manifestar antes do Natal com febre baixa e pequenas feridas na boca. Inicialmente, um médico de confiança da família diagnosticou que seria uma estomatite. Porém, no início de janeiro o quadro evoluiu para febre entre 39 e 40 graus centígrados.
Neves conta que, neste momento, foi providenciada uma bateria de exames e Ffeifer passou a ser tratado por médicos de Marília. “O médico infectologista avisou que era grave. E começou com antibióticos aplicados aqui em casa.
A febre cortou e deu uma melhora depois de 20 dias”, relata. Há 15 dias, o vereador foi internado na Santa Casa de Marília, novos exames foram feitos e o baço apresentou inchaço. “O médico disse que não poderia operar o baço porque não havia constatado que a febre era do baço.” O diagnóstico de leishmaniose viceral foi confirmado após o exame do líqüido que circula na medula.
Pfeifer foi eleito para seu segundo mandato em 2004, com 315 votos. Ele é casado com Maria Aparecida Karam com quem tem duas filhas adolescentes – 15 e 17 anos. A esposa está em Marília, na casa da irmã de Pfeifer, Maria Saleti. O vereador é filho de Waldemar Pfeifer, de 80 anos.
Na sessão da Câmara Municipal, ontem, o vereador suplente Vanderlei Ferreira Grejo (PDT), assumiu no lugar de Pfeifer, que está licenciado do cargo por 60 dias.
O presidente do Legislativo Municipal, Jorge Luiz de Sousa (PTB), 46 anos, amigo de Pfeifer, lamentou, ontem, a demora no diagnóstico. Ele ressalta que percebeu que Pfeifer tinha piorado no dia 6 de fevereiro, última sessão em que o vereador compareceu. “Após a sessão ele disse que estava com um pouco de febre e se retirou logo. Daí foi piorando sua situação”, relata. Sousa conta que o ambiente na Câmara é de consternação.
Ele lembra que o Legislativo pediu, no final do primeiro semestre de 2005, que a administração municipal fizesse um trabalho de conscientização com a população a respeito dos riscos da leishmaniose. “E também que tomasse medida para o controle da doença que se apresentava em cães”, explica.