08 de julho de 2026
Nacional

SP vive cinco rebeliões simultâneas

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Cinco anos após a megarebelião promovida pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em 18 de fevereiro de 2001 em 29 presídios paulistas, presos fizeram cinco rebeliões simultâneas em prisões do Estado. Na Penitenciária Feminina Sant’ana, em São Paulo, as presas expuseram faixas com o nome da facção criminosa. Também houve revoltas em prisões dos municípios de Paraguaçu Paulista, Bauru, Ribeirão Preto e Lucélia, todas superlotadas. Até as 20h de ontem, as rebeliões não haviam sido controladas nas duas últimas cidades. Em Lucélia, um preso foi ferido a tiro pela guarda da muralha ao tentar fugir.

De acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária, não há indícios de que os motins tenham ocorrido de forma articulada pelo PCC. “Não há nenhum indício de que essas ações tenham sido orquestradas e que uma rebelião esteja ligada à outra, porque a motivação de um lugar é completamente diferente da de outro”, afirmou o secretário Nagashi Furukawa.

Para José Mainu, diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários, no entanto, não há dúvidas de que o PCC organizou as rebeliões. Segundo ele, todas as revoltas têm um ponto em comum, característico da atuação do PCC. “Pode ver que eles não quebraram nada. Essa é a política do PCC, porque eles sabem que seria prejuízo para eles mesmos.” O promotor Roberto Porto, que integra grupo especial que investiga o PCC, também considera que a organização criminosa está por trás das rebeliões.

A primeira rebelião começou em Bauru no domingo à noite. Os outros tiveram início na manhã de ontem. Detentos da Penitenciária de Lucélia (586 quilômetros a noroeste de São Paulo) mantinham quatro agentes penitenciários reféns até o início da noite de ontem. O motim começou após uma tentativa de fuga, quando um preso, com uma arma, rendeu agentes do presídio.

A Secretaria da Administração Penitenciária, por intermédio de sua assessoria de imprensa, afirmou que não havia confirmação se a arma usada era de fogo ou uma réplica. O detento, que não teve a identidade revelada, levou um tiro no braço disparado por um guarda da muralha do presídio. Com a fuga frustrada, teve início o motim por parte dos detentos, que renderam agentes penitenciários. Cinco foram mantidos reféns. Por volta das 18h, um dos agentes foi liberado pelos amotinados. Com capacidade para abrigar 792 presos, o presídio contava com 1.195.

Houve tumulto ontem também na cadeia de Paraguaçu Paulista (459 quilômetros a oeste de São Paulo). Conforme informações da Secretaria da Segurança Pública, 16 presos, por volta das 10h, se recusaram a retornar às celas que ocupavam. Eles estavam no horário do banho de sol. Às 14h30, a situação foi resolvida. A cadeia tem capacidade para abrigar 40 presos, 75 estavam abrigados no local ontem.

Na Penitenciária de Ribeirão Preto, os presos iniciaram a rebelião por volta do meio-dia de ontem. Presos dos quatro pavilhões renderam agentes, uma religiosa e funcionários que prestam serviço no local e iniciaram, por volta das 9h de ontem, a primeira rebelião na unidade prisional após quase cinco anos. A rebelião teve início no pavilhão 4, durante o banho de sol, com cerca de 200 detentos. Eles renderam o único vigia do pavilhão e, com as chaves em mãos, libertaram os outros presos, inclusive os do seguro, local em que ficam os detentos ameaçados. O presídio tem capacidade para 792 presos e estava com 1.051. Até as 20h de ontem, a rebelião não havia sido controlada.