09 de julho de 2026
Internacional

Autor é condenado por negar Holocausto

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Viena - O historiador britânico David Irving, 67 anos, foi condenado ontem na Áustria a três de prisão por negar o Holocausto - um crime nesse país europeu uma vez ocupado pelos nazistas. Sua defesa disse que recorrerá da decisão. Irving, que se declarou culpado, insistiu, no julgamento, que ele havia mudado de idéia e agora reconhecia o assassinato de 6 milhões de judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Antes do veredicto, ele admitiu que havia errado ao afirmar que não havia câmaras de gás no campo de concentração de Auschwitz e disse lamentar “por todas as pessoas inocentes que morreram na Segunda Guerra. “Os nazistas de fato assassinaram milhões de judeus”, disse Irving, durante a audiência, na qual falou em alemão fluente. “A corte não acredita que o réu tenha genuinamente mudado de idéia”, disse o juiz Peter Liebetreu, após pronunciar a sentença. “O arrependimento demonstrado por ele foi considerado apenas para agradar à lei.”

O promotor Michael Klackl acusou Irving de “falsificador em série da história” transformado em mártir pela extrema direita. Irving disse que estava chocado com a sentença dada por três juízes e oito jurados.

“Considero a veredicto um pouco severo demais. Diria que se trata um pouco de um julgamento-mensagem”, disse o advogado do negacionista, Elmar Kresbach. Na defesa, ele argumentou que Irving havia moderado suas posições e que ele não representava uma ameaça à democracia austríaca, passados mais de 60 anos desde o fim da Segunda Guerra.

Segundo Kresbach, Irving tem recebido até 300 cartas de apoio por semana de simpatizantes do mundo inteiro. O revisionista está escrevendo sua versão sobre o caso, com o título provisório de “A Guerra de Irving” - referência ao seu livro “A Guerra de Hitler”, em que relativizou as ações nazistas e duvidou do Holocausto.

O réu, algemado, chegou ao tribunal carregando uma cópia desse livro. Kresbach disse que, mesmo se ele perder na apelação, provavelmente ficará preso no máximo durante dois anos por causa de sua idade e por ser réu primário.

Irving estava sob custódia desde a sua prisão na Áustria, em 11 de novembro, em razão de duas palestras que havia proferido nesse país em 1989, nos quais negava o Holocausto. Ele foi indiciado por uma lei federal austríaca que criminaliza diminuir, negar ou justificar o Holocausto. A pena máxima é de dez anos de prisão.

O britânico tentou pagar uma fiança de US$ 24 mil para obter liberdade provisória, mas um tribunal de Viena recusou, sob o argumento de que havia o risco de ele fugir do país. Momentos antes do julgamento, Irving disse que considerava “ridículo” ser processado por comentários feitos há 17 anos.

Problemas com Justiça

Duas semanas após a sua prisão, ele declarou por meio de seu advogado que passara a reconhecer a existência das câmaras de gás nazistas. No passado, porém, ele alegou que Adolf Hitler, provavelmente, desconhecia o Holocausto e chegou a dizer que “não há nenhuma evidência” de que os nazistas empregaram a chamada “Solução Final” para exterminar a população judaica européia.

Irving, autor de quase 30 livros, tem defendido que a maioria dos que morreram em campos como o de Auschwitz foram vítimas de doenças, como o tifo. Em 2000, Irving processou a acadêmica americana Deborah Lipstadt, especialista em Holocausto que o classificara de negacionista, mas perdeu. O juiz do caso, Charles Gray, escreveu que ele era “anti-semita e racista”. Em 1992, um juiz alemão o multou em US$ 6.000 por insistir em negar as câmaras de gás.