09 de julho de 2026
Nacional

Polícia Federal confirma caixa dois do PT em Cuiabá

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Campo Grande - A Polícia Federal concluiu na sexta-feira o inquérito sobre suposto caixa dois do PT em Cuiabá (MT) na eleição de 2004, confirmando gastos com gráficas e vídeos de ao menos R$ 3,5 milhões não-declarados à Justiça Eleitoral. O candidato derrotado a prefeito Alexandre Cesar (PT) afirmou ontem culpar o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares por “um erro contábil” que levou à instauração do inquérito.

Os gastos de R$ 3,5 milhões apontados pela PF não foram pagos a fornecedores e tornaram-se dívidas, parte delas reconhecida em cartório de registros pelo PT. Cesar, que assumiu nesta semana o cargo de secretário-geral do PT de Mato Grosso, nega o caixa dois. Reconhece uma dívida que “não chega a R$ 2 milhões”, mas diz que a quantia corresponde a gastos do diretório estadual, e não de sua campanha a prefeito.

À Justiça Eleitoral, Cesar declarou ter gasto R$ 2,12 milhões e arrecadado R$ 1,16 milhão em 2004. A dívida oficial é de R$ 963,3 mil. “Alguns fornecedores prestaram serviço tanto ao partido como à campanha em Cuiabá. Quando acabou a eleição, consultamos (Delúbio) em Brasília e a orientação foi para consolidar as dívidas. Que documentássemos isso e depois, feito o pagamento, fosse contabilizado na prestação de contas de 2005”, disse Cesar, então presidente do PT estadual.

O problema foi que o pagamento dos fornecedores não ocorreu. A existência da dívida foi publicada pelo jornal “A Gazeta”, de Cuiabá, e levou à instauração do inquérito na Polícia Federal. Dono da gráfica Print, o empresário Dalmi Defanti Júnior disse à reportagem ter para receber R$ 571 mil. Defanti disse que parte dessa quantia corresponde a material fornecido à campanha de Cesar, mas que a despesa não está registrada na Justiça Eleitoral.

O delegado federal Renato Sayão afirmou que concluiu na sexta-feira o inquérito e o enviou à Justiça Eleitoral. O juiz deverá remetê-lo ao Ministério Público, que pode ou não denunciar Cesar.