09 de julho de 2026
Polícia

Rapaz é achado morto; suspeito do crime é o próprio irmão, que nega

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

“Eu não acredito. Ai que dor. Isso é terrível. Perdi meus dois filhos num mesmo dia. O Rodrigo não pode ter feito isso. Se ele fez, ele vai morrer seco na cadeia”. Essa foi a reação de Elza Padilha, na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru ontem quando soube que seu filho, Rafael Padilha, 22 anos, havia sido assassinado e que seu outro filho, Rodrigo Ribeiro dos Santos, 21 anos, era suspeito do crime.

O assassinato, que abalou a família, também assustou os moradores do Jardim Aeroporto. Rafael foi morto a golpes de faca e pedra e deixado em um terreno do bairro localizado no cruzamento das ruas Armando Pierone e Aviador Edu Chaves, na zona sul da cidade. Dez horas depois, dois acusados do crime - Rodrigo, irmão da vítima, e um outro rapaz foram presos, apesar de negarem terem matado Rafael.

Rafael e Rodrigo são filhos de Elza, mas de pais diferentes. Eles cultivariam, já há muitos anos, ódio recíproco. A polícia aposta em vingança como a causa do crime, porém, como o caso foi permeado de requinte de perversidade, é possível que o motivo seja ainda mais grave. A verdade é que quem matou Rafael estava com muito ódio.

Após fazer cortes no pescoço da vítima com uma faca, ainda desfigurou seu rosto com golpes de pedra. Devido os estragos no rosto, os familiares tiveram dificuldades em identificar Rafael no Instituto Médico Legal (IML). A faca e a pedra usadas no crime foram apreendidas no local, assim como um relógio de pulso e a carteira de motorista da vítima.

O carro de Rodrigo foi localizado pela polícia em uma oficina da cidade. No carpete do banco traseiro, atrás do motorista, as manchas vermelhas forneceram indícios de que Rafael recebeu uma facada ainda no interior do veículo. O corpo do rapaz foi localizado pela polícia graças a uma denúncia anônima feita ao Centro de Operações da Polícia Militar, por volta das 2h30 de ontem.

O informante dizia que ouviu uma briga e que, no local, estava uma pessoa caída. O denunciante disse, ainda, que uma voz feminina dizia que não era para fulano matar o irmão. A vítima foi encontrada trajando apenas camiseta e cueca, já sem vida. O Instituto Médico Legal (IML) apontou que o rapaz morreu devido a traumatismo craniano e ao corte no pescoço. O homicídio foi o primeiro da área do 3º Distrito Policial, Zona Sul da Cidade e o 6º registrado neste ano em Bauru.

Emboscada

Uma das suspeitas da polícia é que Rodrigo pode ter armado uma emboscada para o irmão. Os dois moravam juntos, na Pousada da Esperança 1, em Bauru. Rafael vivia com Simone Bueno de Souza, que confirma que entre os irmãos ocorria desavenças com freqüência. “Não era tão graves, coisas de irmão. O Rodrigo morava com a gente havia um ano”, conta a viúva.

Segundo a polícia, os dois irmãos brigavam sempre, por motivos familiares. “Ultimamente, eles brigavam porque o Rodrigo, que estava morando com Rafael, levava mulheres para dentro de sua casa”, comenta o delegado titular da DIG, Silberto Sevilha Martins.

Seguindo essa tese, que não foi confirmada por nenhum dos envolvidos, Rodrigo teria combinado com Rafael e com Ilvis Willian Silva Velasco, 22 anos, fazer um assalto no Jardim América. Anteontem, Rodrigo teria tentado amolar uma foice, arma pouco comum para um roubo.

À noite, Ilvis e Rodrigo passaram na casa de Rafael. A mulher de Rafael confirma. “Ele já estava dormindo quando o Rodrigo chamou. Ele voltou e disse que ia ver um negócio com o irmão dele e que voltava logo. Eu pedi para ele não ir”, contou a viúva, com lágrimas nos olhos. Simone lembra que foi a última vez que conversou com o marido, que já tem um filho de 2 anos com outra mulher no Estado de Minas Gerais.

Frieza no olhar

Quem olhou para Rodrigo ontem, na delegacia, não podia imaginar que ele tenha matado o irmão e encarado a família como se nada tivesse acontecido. Foi ele quem levou a mãe para a delegacia. Elza Padilha, a mãe, não acreditava na tese da polícia. “Meu Deus. Ele me trouxe aqui e fugiu da polícia. Eu não acredito. Ele deu nome falso para os policiais. Disse que era Alex”, dizia ela.

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Silêncio

Um morador vizinho ao terreno onde o corpo de Rafael Padilha foi encontrado diz que está assustado. “Eu prefiro não me identificar. Cheguei de viagem e fui dormir. Não ouvi nada. Fiquei sabendo hoje (ontem), através de outro vizinho”, comenta.

O morador frisa que o Jardim América sempre foi muito sossegado e que um assassinato ao lado de sua casa não lhe agradou. “Não ouvi sequer um grito”, frisa. Outros dois moradores ouvidos pela reportagem disseram a mesma coisa. “Não ouvimos nada. Só hoje (ontem) de manhã vi muitos carros de polícia e fiquei sabendo dos fatos”.

A tese dos moradores pode ser uma confirmação de que Rafael foi ferido ou até morto dentro do carro e só depois seu corpo foi jogado no terreno, onde possivelmente teve o rosto desfigurado com uma pedra.