O governo federal anunciou ontem que, até amanhã, reduzirá de 25% para 20% a adição de álcool anidro na composição da gasolina. O objetivo é reduzir a demanda pelo produto neste período de entressafra da cana-de-açúcar para diminuir os preços de venda do álcool. Contudo, empresários do setor consultados pela reportagem avaliam que a medida pode resultar na alta dos valores da gasolina.
“O mercado vai sofrer mudanças (com essa medida), certamente. Mas é muito difícil fazer previsões especificamente para Bauru, pois aqui o cenário é totalmente atípico. Enquanto na maioria das cidades do Estado de São Paulo os preços dos combustíveis vêm subindo, aqui houve queda desde o final da semana passada. Mas se o governo diminuir o teor de álcool para 20%, acredito que o preço de custo da gasolina vai subir cerca de R$ 0,07 por litro”, analisa o diretor comercial de uma distribuidora bauruense, Sérgio Luiz Ferreira.
Na avaliação dele, para barrar o aumento de preços da gasolina o governo precisará determinar a desoneração da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) sobre os 5% de gasolina que substituirão a fração de álcool retirada.
O empresário Edivaldo Tuschi, dono de postos de combustíveis na cidade, diz que o mercado está totalmente confuso. Segundo ele, em Bauru não há como ocorrer - segundo espera o governo - novas reduções no preço do álcool.
“Eu estou preocupado com a situação de Bauru. Já tem distribuidora vendendo álcool (hidratado) ao preço de custo de R$ 1,60. Ou seja, nós (donos de postos) estamos pagando para vender álcool ao consumidor. Hoje o preço do álcool comercializado em Bauru já chega a R$ 1,49 e o produto está acabando. Está cada vez mais difícil comprar álcool nas distribuidoras”, desabafa.
Segundo ele, no momento o preço do álcool em Bauru está entre os mais baratos do Estado de São Paulo. Segundo a última pesquisa de preços divulgada no site da Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizada no período de 12 a 18 deste mês, o valor mínimo do produto em Botucatu, por exemplo, também é de R$ 1,49. Em Jaú chegou a R$ 1,37 no final da semana passada e em Marília, R$ 1,59, segundo a ANP.
“Mais uma vez, é a guerra de preços que impera em Bauru. Há vários postos vendendo gasolina a R$ 2,19 ou R$ 2,29, sendo que o preço de custo gira em torno de R$ 2,16. Sabendo comprar, para os consumidores o momento é bom. Para se ter uma idéia, o preço do álcool vendido na bomba hoje deveria ser de R$ 1,90”, diz Tuschi.
A decisão de reduzir a quantidade de álcool misturada à gasolina foi tomada após o fracasso do acordo fechado entre o governo federal e os usineiros para que o preço do álcool anidro não ultrapassasse R$ 1,05 nas usinas (preço sem impostos).
Na opinião do empresário Edivaldo Tuschi, a redução da porcentagem só deve servir para evitar a falta do produto durante o período da entressafra, que prossegue até abril. “Era óbvio que esse acordo não ia dar em nada. A demanda por álcool está muito grande e ninguém (produtor) vai cortar cana agora só para atender a uma estratégia do governo.”