Brasília - A dívida externa estimada para o mês de janeiro chegou a US$ 168,613 bilhões. Esse valor representa uma queda de US$ 14,538 bilhões em relação aos US$ 183,151 bilhões do mês de setembro, última posição consolidada da dívida feita pelo Banco Central (BC). Por se tratar de uma estimativa, o número de janeiro pode sofrer pequenas alterações.
Segundo o BC, colaboraram para essa queda o pagamento de US$ 615 milhões em bradies - os títulos da chamada “dívida velha” - e o resgate de C-bonds, no valor de US$ 1,1 bilhão, além de uma redução devido a paridade de moedas de US$ 1,1 bilhão. Já em dezembro ocorreu o pagamento antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 15,5 bilhões.
A redução da dívida não foi maior por conta do ingresso de recursos conseguidos pelo País em captações externas. Já as reservas internacionais fecharam janeiro em US$ 56,924 bilhões e neste mês, até o dia 20, estavam em US$ 57,270 bilhões. A previsão para o ano é que ela chegue em US$ 62,392 bilhões.
Déficit
A conta de transações correntes registrou em janeiro um déficit de US$ 452 milhões. Essa conta não apresentava um resultado negativo desde novembro de 2004, quando ficou deficitária em US$ 223,5 milhões. Em janeiro do ano passado, ela apresentou um superávit de US$ 802 milhões. A conta de transações correntes é importante porque representa as principais transações do País com o Exterior na área comercial e na contratação de serviços e transferências de renda.
Durante todo o ano passado, o resultado das contas externas foi destacado por membros do governo Lula como uma das principais conquistas da política econômica. No mês passado, os superávits da balança comercial, de US$ 2,844 bilhões, e da conta de transferências unilaterais, de US$ 308 milhões, não foram suficientes para cobrir o saldo negativo da conta de serviços e renda, que ficou deficitário em US$ 3,605 bilhões. Já o balanço de pagamentos, que reflete as movimentações de recursos feitas com o Exterior, encerrou janeiro com um saldo positivo de US$ 2,691 bilhões, contra US$ 2,025 bilhões em janeiro de 2005.
O balanço inclui o resultado das transações correntes mais a conta capital e financeira (que representam as operações financeiras do País com o Exterior) e o ingresso de investimentos estrangeiros. Os investimentos estrangeiros no país somaram US$ 1,503 bilhão. O desempenho foi maior que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando os investimentos no Brasil totalizaram US$ 1,218 bilhão.
Gastos no Exterior
O gasto dos turistas brasileiros no Exterior cresceu 34% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado e chegou a US$ 397 milhões, segundo informou ontem o BC. Já o gasto de estrangeiros que vieram para o Brasil a turismo ou a negócios chegou a US$ 402 milhões, um crescimento de 18%. Com isso, a conta de viagens ficou com um saldo positivo de US$ 5 milhões no mês passado. Neste mês, até ontem, o saldo está negativo em US$ 50 milhões, com receitas de turistas estrangeiros de US$ 247 milhões e gastos de brasileiros que chegam a US$ 297 milhões.
A previsão do BC para o ano é que essa conta fique negativa em US$ 1,3 bilhão. No ano passado, ela ficou deficitária em US$ 858 milhões. Segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC, a presença de turistas estrangeiros tem sido maior no Nordeste. Ele destacou inclusive a entrada de investimentos estrangeiros voltados para a infra-estrutura turística no Brasil.