O criador de gado e estudante de veterinária Marcos Cavallieri procurou o Jornal da Cidade apresentando o termo de declarações de seu depoimento ao Policiamento Militar Rodoviário, sobre o que aconteceu na noite do último dia 12, quando uma égua foi baleada por um policial em Bauru. Foi Cavallieri quem aplicou a injeção de analgésico para aliviar a dor do animal baleado.
Em sua declaração, ele relatou que estava dirigindo sua moto pela rodovia Marechal Rondon, sentido Capital, e ao passar próximo a uma oficina percebeu que um policial vinha correndo atrás de uma égua em fuga no sentido contrário, acompanhados por uma viatura do outro lado da rodovia. Como o animal estava em alta velocidade, parou a sua moto e deu carona ao policial que estava a pé.
Segundo Cavallieri, eles começaram a perseguir o animal pelo acostamento, na contramão, até o cruzamento da rodovia com a avenida Rodrigues Alves. Foi quando ultrapassaram a égua e fizeram que ela atravessasse a Rondon. Perto do pontilhão, ele parou a sua moto e permaneceu contendo o trânsito para evitar acidentes, caso a égua voltasse para a pista. Segundo o estudante, foi quando um policial chegou com uma viatura e andou em direção ao animal e disparou duas vezes.
O estudante disse que após os tiros, o policial falou para ele liberar o trânsito pois a égua havia sido abatida. Cavallieri foi com uma lanterna até o local onde estava o animal e viu que ele tinha fugido em direção à avenida Rodrigues Alves. Com sua moto, encontrou a égua em frente a uma borracharia na avenida Aureliano Cardia. Ela estava com ferimentos à bala em cima do olho e na paleta, sangrando muito pelo nariz e com perda de massa encefálica pelo ferimento da cabeça.
“Estava tudo sob controle, não precisava fazer aquilo. Então pedi para eles terminarem o serviço e sacrificarem a égua, mas me informaram que estavam em área urbana e não podiam mais atirar”, lembra.
Trânsito
Cavallieri se propôs buscar um analgésico, que aplicou no animal. Em seu depoimento, afirmou que não havia necessidade de abater a égua, pois ela estava controlada. Porém na hora dos disparos, ele estava de costas para o local, então não sabe se a égua tentou voltar à pista. O animal foi sacrificado pelo Centro de Controle de Zoonoses horas depois.
O major Benedito Roberto Meira, subcomandante do 2.º Batalhão do Policiamento Rodoviário de Bauru, informa que foi instaurada uma investigação preliminar para apurar se houve alguma falha no procedimento do policial. Segundo Meira, essa versão apresentada no dia 16 pelo estudante, não corresponde com a do dia dos fatos.
“A priori, o policial obedeceu o procedimento e fez algo para preservar a vida dos motoristas”, esclarece. “Mas tão logo seja terminado os depoimentos, será feito um relatório. Se for constatado o excesso do policial, ele será responsabilizado”, explica.