Chuva forte, seguida por corte no fornecimento de energia, despertou num engenheiro de 44 anos a coragem corriqueira em seriados como “Profissão: perigo”. Como faria MacGyver (o protagonista), ele fez uso da criatividade para sair do elevador onde ficou preso. Por sorte, a atitude imprudente não é comum entre moradores de prédio, que correm o mesmo risco sempre que falta energia elétrica.
Em noites como a de anteontem, quando 17 bairros de Bauru ficaram às escuras (total ou parcialmente), os porteiros transformam-se em “super-heróis”. De acordo com o gerente operacional de uma administradora de condomínios, Luiz Godoy, nessas ocasiões o plantão da empresa recebe uma enxurrada de telefonemas.
“É rotina (gente presa em elevador). A gente destrava (as portas para que possam sair). Eles (os porteiros) recebem orientação (para lidar com a situação)”, garante. Mas o engenheiro decidiu agir por conta própria. Aguardou por cerca de dez minutos dentro do elevador, sem conseguir contato com a portaria.
“Fui tateando a porta e puxei (a primeira, que se assemelha a uma sanfona). A segunda é mais difícil de abrir. Só destrava quando chega no andar certo. Consegui com a mão (acionar o dispositivo correto). Fiquei apreensivo, mas pulei. Eu só estava a uns 30 centímetros do andar certo”, conta. No entanto, se exatamente naquele momento o elevador descesse, o acidente poderia ser fatal.
“Acho que como estava tudo aberto, ele trava. Mas meu filho (de 6 anos) ouviu a história e agora está com medo de andar sozinho de elevador”, conta o engenheiro, que pediu para ter o nome preservado. Mas histórias de elevador nem sempre são marcadas por imprudência. Por tensão, geralmente sim. Um porteiro, que também preferiu ter o nome preservado, pela primeira vez desde que entrou para a atividade precisou socorrer moradores presos dentro do elevador.
“Eu tive de adivinhar onde eles estavam porque o interfone parou de funcionar e as câmeras também. Consegui tirar quem estava no (elevador) de serviço. No social, não tem escada. Fiquei desesperado”, reconhece. Não foi o caso da dona de casa Cristina Mendonça Vilela. Ela mora no térreo e tem sempre à mão velas e lanternas. “Quando falta energia, já sei o que aconteceu. É a árvore de uma escola próxima. Sempre cai galho na rede. Sai até faísca”, conta.
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Árvore na rede
A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) registrou anteontem quatro grandes desligamentos, que duraram cerca de uma hora. O desabastecimento de energia elétrica afetou, no entanto, 17 bairros em regiões como o Núcleo Habitacional Mary Dota, Vila Aviação, Distrito Industrial, Jardim Carolina e Condomínio Jardins do Sul.
Em todos os casos, informa a assessoria de imprensa da empresa, o problema foi provocado por galhos de árvore ou outros objetos (como placas de publicidade) arremessados pelo vento. A situação foi mais séria na região do Jardim Estoril, onde um eucalipto caiu sobre a rede e rompeu o cabo.