09 de julho de 2026
Internacional

Ataque a mesquita cria clima de guerra

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - Depois da morte de 54 pessoas em dois dias, a violência sectária no Iraque ganhou força simbólica ontem com um ataque a bomba contra uma das mesquitas xiitas mais importantes do país. O atentado detonou dezenas de ataques a mesquitas sunitas, numa represália que fez ao menos mais 19 mortos e superou em muito a reação aos ataques contra civis nos dias anteriores.

O presidente Jalal Talabani, de etnia curda, declarou que os extremistas estão empurrando o país para uma guerra civil. Líderes dos dois ramos islâmicos exortaram seus seguidores a manterem a calma, e muitos xiitas disseram que a culpa da violência se deve, em parte, à presença de tropas americanas no país. “Enfrentamos uma grande conspiração contra a unidade iraquiana”, declarou Talabani. “Devemos nos dar as mãos para evitar o perigo de uma guerra civil.”

Embora as tensões sectárias no Iraque venham se acirrando desde a queda de Saddam Hussein, elas haviam amenizado no final do ano passado e no início deste ano por conta das eleições parlamentares, sob a promessa de uma trégua temporária por conta da insurgência. Agora não apenas a trégua acabou como a violência se tornou ainda mais abertamente sectária.

O ataque ocorreu às 7h (hora local) e foi executado por quatro homens disfarçados de policiais. O alvo foi a mesquita de Askariya (ou Mesquita Dourada), uma construção de 1.200 anos que guarda os corpos de dois dos mais importantes imãs xiitas. O templo fica em Samarra, cidade predominantemente sunita 90 quilômetros ao norte de Bagdá. Nenhum grupo reivindicou a autoria da explosão, que não deixou feridos. A cúpula do templo foi reduzida a escombros, e milhares de manifestantes se reuniram no local para protestar.

O presidente dos EUA, George W. Bush, e seu principal aliado, o premiê britânico, Tony Blair, prometeram a ajuda de seus países para restaurar a construção. O embaixador americano, Zalmay Khalilzad, que nesta semana havia alertado para o risco de formar um governo em que prevaleçam grupos específicos, classificou o ataque de uma tentativa deliberada de alimentar conflitos sectários.

A retaliação ao ataque deixou pelo menos 19 mortos, entre elas três clérigos, e se concentrou na Capital e no Sul do país, predominantemente xiita. O principal ataque foi em Basra (Sul), onde membros de uma milícia local invadiram uma prisão e mataram 12 detentos, entre eles dois egípcios, dois tunisianos, um líbio, um saudita e um turco. Um dos políticos sunitas mais proeminentes do país, Tariq al Hashimi, exortou a calma antes que a situação saia de controle.