08 de julho de 2026
Internacional

Israel ameaça bloquear dinheiro à ANP

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Jerusalém - O porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Mark Regev, afirmou ontem que seu país tentará bloquear a ajuda financeira que o Irã pretende enviar ao governo palestino liderado pelo grupo terrorista Hamas, e julgou o empréstimo como um “investimento terrorista”.

Segundo Regev, considerando que “o dinheiro estará sendo revertido para uma liderança terrorista” (como o Hamas é classificado por Israel, Estados Unidos e União Européia), Israel terá o direito de “utilizar todos os meios legais para impedir que o dinheiro chegue a seu destino”.

Fazendo coro à pressão contra o Irã, o premiê interino de Israel, Ehud Olmert, qualificou ontem o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de “anti-semita, racista e inimigo de Israel”, segundo a rádio militar israelense. “Não vale a pena empreender uma competição de declarações polêmicas com ele”, afirmou Olmert ao Comitê de Defesa e Assuntos Internacionais do Parlamento.

Recentemente, Ahmadinejad causou a indignação da comunidade internacional ao dizer que Israel deveria ser “riscado do mapa” e ao duvidar da existência do Holocausto - no qual morreram 6 milhões de judeus.

Regev afirmou ainda que a liderança palestina deve decidir se quer fazer parte da “comunidade internacional legítima” ou se deseja, “por suas próprias ações, alinhar-se a nações que são párias internacionais (referindo-se a países acusados de desenvolver ações terroristas)”.

Israel diz considerar o Irã um “pária internacional” devido a seu apoio a grupos como o Hamas e o Hizbollah, e acusa o país de produzir armas nucleares - acusação negada por Teerã.

Oferta

As declarações do ministério israelense foram dadas um dia depois de o Irã oferecer ajuda financeira à Autoridade Nacional Palestina (ANP). A oferta foi anunciada pelo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, após uma reunião com Khaled Mashaal, líder político do Hamas.

O Irã fez sua oferta três dias depois que Israel - como represália ao Hamas, que agora tem maioria no Parlamento - aprovou sanções financeiras a palestinos com o corte mensal de US$ 50 milhões mensais arrecadados em impostos à ANP, revertidos para o pagamento de 140 mil trabalhadores.

Os EUA também se recusaram a fornecer verbas ao governo palestino enquanto o Hamas não renunciar à violência, reconhecer o direito de existência de Israel e aceitar os termos do acordo de paz entre os dois Estados. “Os EUA provaram que não irão apoiar a democracia, cortando a ajuda financeira ao governo palestino depois da vitória do Hamas nas eleições. Nós certamente ajudaremos os palestinos”, disse Larijani.

Apesar das ameaças de Israel, o Hamas afirmou, ontem, que já recebeu pequenas quantidades de verbas vindas do Irã. Segundo o grupo, o governo não quer receber grande volume de dinheiro iraniano porque deseja “preservar sua independência.”

Israel e os EUA freqüentemente acusam o Irã de fornecer ajuda financeira e material ao Hamas, mas Teerã sempre alegou que seu apoio ao grupo era apenas “ideológico”.