09 de julho de 2026
Internacional

Assassinato de rapaz judeu mobiliza os franceses

Folhapress
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Paris - O presidente da França, Jacques Chirac, compareceu na noite de ontem a uma cerimônia fúnebre na principal sinagoga de Paris em memória de rapaz judeu brutalmente assassinado em meados deste mês. O crime, caracterizado pelas autoridades francesas como resultado de anti-semitismo, vem mobilizando a classe política e vários setores no país. O premiê Dominique de Villepin, dois outros ministros e o líder do Partido Socialista também estavam entre as centenas de pessoas presentes à cerimônia.

No subúrbio parisiense de Bagneux, onde a vítima foi encontrada, centenas de pessoas participaram de uma marcha em silêncio, levando uma faixa que dizia “Bagneux contra a barbárie, o anti-semitismo e o racismo”. “Somos todos judeus hoje”, disse a vereadora Stephane Jaffrezic.

Ilan Halimi, 23 anos, era vendedor de uma loja de celulares e foi encontrado agonizante, nu, amordaçado, com as mãos atadas e com marcas de queimaduras e de tortura em uma estação de trem, em 13 de fevereiro.

O rapaz, que morreu antes de chegar ao hospital, havia sido seqüestrado no dia 21 de janeiro após um encontro com uma mulher. Sua família recebeu uma série de pedidos de resgate, o primeiro deles de cerca de US$ 537 mil (R$ 1,2 milhão). “Ele foi torturado em uma casa e depois em uma caldeira, e a maioria dos suspeitos é de Bagneux”, disse a prefeita Maire-Helene Amiable.

O grão-rabino Joseph Sitruk descreveu o caso como um divisor de águas. “De agora em diante, na França, haverá o período antes de Ilan e depois de Ilan.” A França tem a comunidade judaica mais numerosa da Europa, com cerca de 600 mil pessoas.