09 de julho de 2026
Polícia

Simulação mostra efeito do álcool ao volante

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Carnaval é sinônimo de folia e descontração. Mas para que a alegria não seja substituída pela amargura, a combinação entre direção e álcool deve ser vetada. O alerta foi dado ontem em Bauru, mas, desta vez, por meio de uma simulação realizada no estacionamento do hipermercado Wal-Mart.

O exercício teve como objetivo mostrar aos jovens o quanto o álcool promove a alteração no comportamento e quais as conseqüências para quem conduz um veículo. Desmascarar a relação imprudente entre as duas coisas é importante porque o trânsito mata duas pessoas a cada hora no País. Os desdobramentos para quem sobrevive também são cruéis. Do total de feridos, 60% ficam com lesões permanentes.

Para impedir que os percentuais avancem e visando sensibilizar os motoristas, três voluntários com perfis diferentes foram convidados a praticar o exercício, organizado pela Polícia Militar urbana, Rodoviária e pelos integrantes do projeto Jovens Construindo a Cidadania (JCC).

Camila Mieli Moreira, 25 anos, professora de Educação Física, representou aqueles que não consomem bebidas alcóolicas. Jeferson Zanda Martins, 21 anos, mecânico, os que ingerem eventualmente álcool. Já o estudante de publicidade, Daniel Keiji Ikeda, 24 anos, tornou-se representante dos que costumam tomar cerveja com mais freqüência.

Os testes começaram com os três de estômago vazio, sem ingestão de álcool. Num segundo momento, consumiram duas latas de cerveja, depois três e quatro. Todas as manobras na pista foram acompanhadas por um instrutor de auto-escola.

Dormente

No final do teste, Camila Moreira sentia o corpo adormecido. “A boca também não obedece os movimentos. Tenho dificuldade em falar. Na direção do veículo, sinto que estou mais lenta. Esses testes comprovam que direção e álcool não combinam”, diz.

Para o mecânico Jefferson, a ingestão da 4.a latinha promoveu a perda da noção de velocidade. “Dirigir alcoolizado não é uma boa”, garante. O estudante Daniel, após ingerir a terceira lata de cerveja, disse que estava tranqüilo. “Sinto apenas que estou mais lento para dirigir.”

O médico legista Rodolfo Castilho, do Instituto Médico Legal (IML), explica que, conforme a pessoa bebe, aumenta a quantidade de uma enzima que existe no fígado. “Por isso, quem bebe sempre é mais tolerante ao álcool. Quem não bebe é menos tolerante”, explica.

Ele frisa que estão errados os que pensam que, se a ingestão de bebidas alcoólicas for feita com o estômago cheio, o efeito será melhor. “O que muda é apenas a velocidade com que se fica embriagado. Ambos vão se embriagar”, acrescenta.

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Preocupação

Para o comandante da 1.a Cia da PM, capitão Jorge Duarte Miguel, a violência no trânsito urbano e rodoviário preocupa as polícias. “Durante o Carnaval, como nos anos anteriores, vamos ter muitos acidentes na área urbana e rodoviária. Muitos deles são movidos pelo excesso na ingestão de bebidas alcóolicas”, diz.

Por essa razão, o simulado tem a intenção de fazer o jovem pensar sobre o assunto. “Queremos que eles reflitam e mudem a postura como motoristas. É um trabalho preventivo e gradativo, como toda campanha de conscientização. Sabemos que a mudança é lenta, mas tem que ser sistemática. O período é propício para o treinamento”, afirma.

Ele ressalta que o álcool, na corrente sangüínea, influencia os reflexos, faz com que o motorista perca a coordenação motora, o equilíbrio e apresente confusão mental, aumentando a probabilidade de um acidente.