O Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional (Coder) está se posicionando contra o edital de licitação para a terceirização de serviços de coleta de lixo em Bauru, cuja publicação deve ocorrer na próxima semana.
O empresário Ricardo Coube, um dos coordenadores do conselho e diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), reafirmou ontem que o órgão quer a adaptação do edital para que a cidade possa receber a instalação de uma usina de reciclagem, conforme divulgado pelo JC no início da semana.
Para Ricardo Coube, a administração municipal está enfrentando o problema do lixo de forma paliativa e pragmática, desconsiderando solução permanente e de longo prazo para a destinação correta do lixo. “O governo está querendo colocar a licitação na rua com muita pressa e a toque de caixa. Foram apresentados 21 pontos em que discordamos do edital de licitação e o governo não se sensibilizou. Não demonstram nem flexibilidade em adaptar o edital prevendo a operação de uma usina. O Coder é contra o formato do edital no seu conteúdo e na filosofia”, aborda.
O representante da indústria lembra que o conselho conta com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, em sua diretoria, o que torna ainda mais estranha a posição do governo de não levar em conta o projeto de usina reciclável, cujo estudo inicial foi apresentado em evento em Pederneiras em novembro do ano passado.
“O que surpreende é que o governo participa da discussão desse projeto, que conta com estudo da Unesp e discute o problema do lixo no contexto regional, com visão empresarial e com uma solução que envolve mudar o prisma de educação da população para a questão do meio ambiente, com investimento privado no projeto, industrializando os resíduos e eliminando a carência por novo aterro sanitário”, amplia Coube.
Na visão do Coder, a prefeitura preferiu atropelar o processo, desconsiderando o estudo definitivo que será apresentado em março para a proposta de reciclagem do lixo por usina. “É estranha a pressa da prefeitura em publicar o edital de licitação. Pior é que é incompreensível a lógica dessa terceirização, porque a projeção é de que a operação do lixo vai custar mais caro para a prefeitura. Estão fazendo a toque de caixa e isso é perigoso”, critica.