08 de julho de 2026
Cultura

DJs ganham espaço e puxam Carnaval

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

Os avanços da tecnologia não deixaram imune o universo do entretenimento. Entre os jovens, os tradicionais bailes com grandes orquestras, que movimentaram as décadas de 60 e 70, foram substituídos aos poucos pelas boates e seus DJs e esse fenômeno também não deixou de fora o Carnaval. Ao invés dos clubes, muitas pessoas preferem curtir os dias de folia na segurança de suas casas, em festas particulares, sob o comando de DJs. Em Bauru, a procura é tanta que muitas empresas encontram dificuldade para encontrar profissionais disponíveis nessa época.

Enquanto os clubes lutam para angariar novamente o público, DJs da cidade são super-requisitados para agitar festas particulares em Bauru e até mesmo a quilômetros daqui. Uma loja especializada em locações de iluminação e som da cidade já não acredita que poderá contratar algum DJ neste período. “Estamos sendo requisitados para organizar algumas festas mas, da lista que temos, todos os músicos têm compromisso para o Carnaval. Desde a inauguração da loja, há cinco anos, isso sempre acontece”, diz o funcionário Gustavo Félix Dias.

Sorte dos músicos bauruenses, como o DJ Decinho. Há dois anos, ele percorre cerca de 270 quilômetros para agitar o Carnaval dos moradores de um condomínio localizado em São Roque, nas proximidades da Capital. Serão três noites e três dias de animação para um público estimado em mil pessoas. “Vai ser uma festa grande, com direito a trio elétrico e dançarinas”, cita Decinho, que é acompanhado por um técnico de som, um iluminador, um motorista e um ajudante.

No repertório, além das marchinhas de Carnaval, funk, axé e som eletrônico. A possibilidade de organizar uma festa entre conhecidos e com músicas escolhidas a dedo são os fatores apontados pelo músico para a crescente procura por DJs. “Nos clubes, as pessoas ficam meio limitadas a um tipo de música. Em festas particulares, a maioria dos presentes se conhece e escolhe o que quer ouvir”.

Para Decinho, a renovação do público também é outra razão pela preferência dos músicos. “O DJ é uma evolução natural dos bailes. A referência mudou, os jovens freqüentam boates e, com isso, os DJs ganham cena”, analisa.

A mudança nos hábitos foi o que estimulou os condôminos a contratar o DJ. “Nas primeiras festas, organizávamos bailes com conjuntos, mas nos últimos anos o pedido da maioria foi por DJs”, coloca o diretor social e esportivo do condomínio, Maurício Zilio. A tradição do Carnaval se mantém forte entre os condôminos há 15 anos. Para Zilio, a explicação do sucesso está na segurança. “Para entrar, cada convidado recebe uma pulseira de identificação. É uma festa em que os presentes se divertem tranqüilamente, sem se preocupar com a violência a que todos estão submetidos em eventos abertos”, finaliza.