07 de julho de 2026
Ser

Minha história


| Tempo de leitura: 5 min

“Baiano, amorzão”

Minha história é mais uma história comum de amor.

É dolorida, cheia de traumas, brigas, ciúme e separações. Falta de carinho, de confiança, e cheia de obsessões e posses.

Conheci você em uma campanha política. Você tinha toda uma pose e isso me chamou a atenção. Na época, brinquei com uma conhecida que um dia você iria ser meu.

Todos deram risada e falaram que eu estava com graça. Imagina que um homem na posição que você ocupava, iria dar boba para uma pessoa simples como eu.

Passaram-se os anos (10 anos para ser mais precisa).

Uma bela tarde, saindo do serviço, vi você numa avenida de Bauru. Você sorriu para mim. Eu o reconheci e, nesse dia, eu tive quase certeza de que meu sonho iria se realizar.

Mais uns dias se passaram e, novamente, eu te encontrei. Pedi seu número e lhe dei meu endereço. Convidei você para ir até a minha residência. Já estava a fim de você.

Não acreditei quando, depois de alguns dias, você me convidou para irmos a um baile fora de Bauru. Você se lembra? Eu não consigo esquecer. Fui e começamos a namorar. Nossa primeira noite foi quase mágica. Aconteceu tudo tão rápido que até eu fiquei com medo do que estava vivendo.

Você me chamava de meu "Amor" e eu te chamava de "Amorzão". Até na agenda do meu celular o seu número está registrado assim: Amorzão.

Em uma noite de muito frio, você veio até a minha casa e falou para minha mãe que queria me namorar para casar. Você se lembra disso? Eu me lembro bem.

Queria ter você ao meu lado, sempre. Só que, com o tempo, eu acho que você se arrependeu de tudo isso e passamos a brigar e discutir. Você tinha ciúme até do meu filho, da minha sombra, das pessoas com quem eu conversava. Enfim, você foi se mostrando possessivo, doente até, acho eu.

Mas uma vez discutimos. Chorei de uma tal maneira, que, no dia seguinte, quase não conseguia abrir os olhos.

À noite, você veio me ver, pois já dormíamos na casa de minha mãe, na sala, em um colchão de solteiro. Você lembra? Eu não consigo esquecer.

Fizemos as pazes. Minha mãe precisava de uma cirurgia na perna e eu, praticamente, só podia contar com você para tudo, inclusive para comer, pois precisei parar de trabalhar para cuidar de minha mãe. Só meu filho continuou trabalhando.

Você, nessa época, foi o melhor dos homens para mim.

Tudo o que fez por mim, por nós, nesses meses, eu não tenho como pagar. Só que mais uma vez brigamos. E dessa vez a coisa foi feia. Você me agrediu fisicamente. Mandei que fosse embora, não queria aquele relacionamento, de tanta raiva e mágoa que eu estava.

E mais uma vez o destino quis nos dar uma chance. Você foi atrás de mim no supermercado e acabamos voltando. Voltamos porque nos amávamos. E eu ainda amo você.

Passaram-se os meses, final de ano, Natal. Esta época foi uma das melhores da minha vida, pois tinha você do meu lado. Por isso, foi para mim o melhor de todos os natais que tive na vida.

Me sentia feliz. Você me prometeu tanta coisa naquela noite, mas eu acho que foi tudo passageiro, tudo sonho, e você acordou. Voltei a trabalhar e você conseguiu o seu emprego. Alugou uma quitinete e juntos fomos viver nosso tão sonhado plano de sermos um casal.

Hoje, já não sei se chamo você de amor, meu bem, querido ou paixão. Estou magoada, triste, jururu pelos cantos, pois mais uma vez brigamos. Você não largou da bebida, não me deixava sair de dentro da quitinete e até para ir ao mercado eu tinha que pedir autorização. Você entrava no site para saber quando eu ia ao mercado, para saber o que tinha gasto e por que eu tinha ido duas vezes.

Acontece que você mesmo dizia que era para ir desse jeito. Ficava triste, aborrecida, por não poder quase nem ver ver minha mãe. O seu horário, considerado cedo, de chegar em casa era às 22hs. Já meio alto, nem abrir a porta direito conseguia. Eu ficava até gelada de medo de me sentar a mão, como muitas vezes já tinha ameaça do veladamente.

Também já não me chamava de meu amor. Mas eu continuava te amando e te amo até hoje. Mas aconteceu o que eu menos esperava. Na nossa última discussão, me mandou deixar a sua casa, pois, do contrário, me mataria se estivesse lá quando voltasse do trabalho. Você, meu amor, se lembra disso?

Falou ainda mais um monte de coisa que acabou comigo. Triste, chorando muito e magoada, saí de sua casa e vim para a casa da minha mãe. Perdi muita coisa com tudo isso, mas o mais importante para mim foi perder você.

Sabe amor, essa perda dói mais do que uma surra ou um tapa na cara. Não sou feliz, pois perdi a minha liberdade. Estou cada dia mais triste. Só quem me conhece sabe a dor que estou passando sem ter você ao meu lado. Eu não mereço passar por tudo isso, pois sempre fui uma pessoa fiel.

Hoje, a única coisa que peço é que me dê outra chance para provar que o “amor” que existe em meu peito é verdadeiro, que o que sinto por você é sincero.

Talvez seja um pouco tarde esse meu pedido, mas quero que saiba que sofro muito por não ter você ao meu lado.

E que mais uma vez me perdoe, pois a nossa música vai ficar guardada em minha memória. Você lembra dela? Eu não a esqueço um minuto sequer. Pois hoje eu vivo das recordações que eu mesma cultivei em meu peito e memória, pois só quem ama como eu amo você, é capaz de guardar os bons e também os maus momentos pelo qual passamos.

Tudo um dia se acaba, até a saúde e a vida. Eu, sem você, sinto que estou acabando aos poucos. Recuperar-se de tudo isso demora, mas sem você é impossível.

Para sempre sua, A.

(Mas sei que um dia a gente se encontra, pois até as pedras se encontram, por que não dois seres humanos? A não ser que, da sua parte, o amor tenha sido falso)