O superintendente do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), Celso Giglio, admitiu ontem, durante visita a Bauru, a necessidade de um concurso público para a contratação de mais médicos para atender toda a demanda de pacientes. Atualmente, os servidores públicos têm dificuldades de conseguir consultas, principalmente com médicos especialistas.
No Centro de Atendimento Médico-Ambulatorial (Ceama), que atende 51.535 usuários de Bauru e região, os pacientes reclamam que não conseguem consultar-se com oculistas, cardiologistas, ortopedistas, entre outros especialistas. “Há necessidade de se fazer concurso. Mas é um processo que acaba sendo demorado, tem uma burocracia grande para ser cumprida, o que atrasa um pouco todo o trâmite”, diz Giglio.
O superintendente não soube precisar o valor arrecadado com a contribuição dos servidores em Bauru e região, porém frisou que é necessário distribuir a receita conforme a necessidade de cada região do Estado. Isso quer dizer que parte da arrecadação de Bauru pode ser aplicada em outras regiões.
“Quando o valor é pequeno, há necessidade de ser dividido, compartilhado com aqueles que precisam mais. Procuramos atender pelo número de segurados. O dinheiro dos impostos arrecadados no Estado de São Paulo, por exemplo, não é aplicado inteiramente no Estado, vai para o Brasil todo”, observa Giglio.
Ainda de acordo com ele, a verba é gasta apenas com assistência médica, mas, mesmo assim, não é suficiente para suprir todas as necessidades. O superintendente afirma que ainda neste ano a situação será amenizada. A proposta, segundo ele, é ampliar as cotas de atendimento no Interior para diminuir a procura no Hospital do Servidor, em São Paulo.
Para o superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Reinaldo Rocha, que estava presente à visita de Giglio a Bauru, as dificuldades de atendimento em algumas especialidades médicas são conseqüência do baixo interesse dos médicos em atender o Iamspe. Segundo ele, isso ocorre por conta da remuneração oferecida. “O hospital não pode obrigar nenhum médico a atender. Temos no corpo clínico, por exemplo, muitos médicos que não atendem por convênios”, explica.
A dificuldade, argumenta ele, é maior nos setores de endocrinologia e reumatologia. Rocha, no entanto, disse que na área de cardiologia o problema já foi sanado. “Existia uma fila de espera muito grande. Hoje, já resolvemos”, completa.
A diretora regional do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde), Mariuze Inês Pereira Miranda, reitera a necessidade de melhoria no atendimento do Iamspe . “O Iamspe é nosso. Nós, funcionários públicos, somos quem o pagamos. O governo do Estado teria que contribuir com 2%, mas não contribui. Portanto, queremos melhorias no atendimento, desde curativos para serem feitos no ambulatório, às consultas e procedimentos de internação hospitalar”. Hoje, em Bauru, 11 médicos atendem pelo Iamspe no Ceama.
A agente de serviços escolares Maria de Fátima Capelli, 47 anos, é uma das servidoras estaduais que têm enfrentando dificuldade para ser atendida através do Iamspe em Bauru. Ela conta que teve de pagar R$ 700,00 por exame de ressonância magnética da coluna.